Quando o Futebol Imita a Moda

Por Alessandro Jodar 

A moda carrega consigo o estigma de ser cíclica. O que é fashion hoje, logo deixará de ser, e, em algum momento no futuro e com uma ou duas pequenas diferenças, voltará a ser chiquérrimo. Esse é o rumo normal da vida para estilistas, cabeleireiros e qualquer outro profissional da área. Mas não é só para o mundo da moda que essa história de “cíclico” faz sentido. Nós, amantes do futebol, também passamos por isso constantemente, e não me refiro apenas às camisas retrô.

Uma das tendências que mais voltam à tona para logo cair no limbo, é a de reformar e/ou construir novos estádios. Ainda mais se o estádio em questão for do Corinthians, aí não faltam exemplos de fracassadas tentativas. Já chegaram a mostrar maquetes e até fotos dos supostos mega-estádios que seriam construídos, inclusive, uma vez até compraram o terreno! Juntamente com toda a euforia dos cartolas, sempre aquela sensação de “agora vai!” que, por sua vez, insiste em andar de mãos dadas com aquela outra, “não foi dessa vez…”.

Provavelmente essa velha-nova febre faraônica que tem assolado os clubes e cartolas brasileiros deve-se ao anúncio da Copa 2014. Todos pretendem faturar com a competição, nem que seja só um pouquinho. Pois não há dúvida de que um estádio reformado ou um estádio novo são uma forma de faturamento bem interessante.

Hoje também está na moda falar mal da arbitragem, às vezes fala-se mais dela do que do jogo em si. Há programas de debate que por vezes sustentam blocos inteiros para discutir “se fulano se jogou, ou se foi jogado”, uma repetição que se repete de modo tão repetitivo e que às vezes chega a irritar. “Mas o fulano é cai-cai”; “Olha lá, ele empurra por cima”; “Ele desloca o adversário por baixo”; “Ele deve ter confundido a grande área com uma piscina” e por aí vai. Pensando bem, talvez tudo isso se deva ao fato de estar na moda apitar mal. Talvez a questão da arbitragem não seja nem cíclica, ela sempre esteve aí. É algo quase que intrínseco ao futebol. Algo como usar cuecas, talvez. Não sei.

E as chuteiras coloridas? Para os mais jovens elas são estilosas e “muito loucas”, para os torcedores mais tradicionalistas, são quase uma ofensa. O conservador jornalista esportivo Flávio Prado, por exemplo, diz que chuteira dourada é uma regalia a que apenas craques como Robinho, Kaká e Ronaldo podem se dar direito. Interessante que o atacante Kléber Pereira, do Santos, tem a superstição de entrar em campo com chuteiras multicolores, mas, se não marcar no primeiro tempo, volta do intervalo com chuteiras pretas, daquelas mais ortodoxas. Prova de que a moda do passado volta à vida no presente.

E esses foram só alguns exemplos de situações em que o futebol revela seu caráter cíclico ou, se preferir, o seu lado fashion. Apesar de nem sempre a relação moda-futebol ser evidente, ela existe. Garanto para você, ou o leitor acha que estou inventando moda?

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Bola fora:

“Se o Valdivia faz cagada… ops, desculpa, foi mal… Se ele faz bobagem…” – Wanderley Luxemburgo, técnico do Palmeiras, na coletiva de imprensa do jogo de sábado, reclamando da maneira injusta com que Valdívia é tratado pelos árbitros. O treinador defendia que o chileno ter costume de supostamente “provocar” os adversários, não serve de justificativa para a negligência dos juízes que não têm marcado tantas faltas quanto deveriam.


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