Um mundo podre chamado futebol

Por Danilo Vital

 

O leitor do DOMINIO DA BOLA se lembrará de alguns casos de corrupção como o denunciado pelo árbitro Edílson Pereira da Silva, que fez o Campeonato Brasileiro de 2005 mudar de rumo com a remarcação de uma série de jogos. Ou de um caso similar, ocorrido na Itália, às vésperas da Copa do Mundo de 2006, envolvendo manipulação de arbitragem.


Pois bem. Só a partir destes casos dá para acreditar que a corrupção é inerente ao futebol brasileiro e internacional já há algum tempo. Mas o que o caro leitor talvez ficará impressionado de saber é que, só em 2008, nesse pouco mais de um mês e meio, seis casos de corrupção foram noticiados. Dois deles, de fato ocorreram esse ano, enquanto que os outros tiveram sua repercussão durante os últimos dias.


Vamos começar com os mais recentes, talvez os mais preocupantes. Os dois casos de 2008 simplesmente aconteceram durante a disputa da Copa das Nações Africanas, embaixo do nariz das principais autoridades do futebol.


Copa da África: Reinhard Fabisch, técnico da seleção de Benin, recebeu a visita de um suposto representante de uma empresa de Cingapura, que ofereceu dinheiro para que houvesse manipulação do resultado da partida entre a seleção e Mali, pela primeira fase da competição. O técnico alemão negou, denunciou e prometeu levar nome e telefone do suspeito à Confederação Africana de Futebol.

Copa da África II: Alguns dias depois, John Muinjo, presidente da Confederação da Namíbia, recebeu proposta de suborno para que sua seleção entregasse o jogo contra Guiné. Um suposto membro de um sindicato ofereceu 30 mil dólares para cada atleta, com pagamento adiantado, contanto que Guiné vencesse a partida. O caso também foi levado à CAF.

Polônia: Depois de confirmados os primeiros casos de corrupção, que culminaram com o rebaixamento do Widzew Lodzclube, clube com currículo de quatro títulos nacionais e 12 árbitros subornados, 2008 surgiu com mais condenações. O Zaglebie Lubin, além de rebaixado para a segunda divisão, perdeu 10 pontos e foi multado em 27,7 mil euros. Outras 17 pessoas foram condenadas a prisão.

 

Quênia: Os dirigentes Daniel Omino, secretário geral da Fedração Queniana de Futebol; e Wicliffe Ogutu, presidente da Associação dos Árbitros do Quênia foram banidos do futebol pela Fifa, sob a acusação de suborno na seleção de árbitros para o quadro internacional da entidade.

Romênia: A justiça romena investiga suspeitos de casos de evasão fiscal, lavagem de dinheiro e fraude por meio do futebol. Entre os principais suspeitos estão so dirigentes George Copos, proprietário do Rapid Bucareste e Cristian Borcea, presidente executivo do Dínamo Bucareste, além dos empresários Gheorge Popescu e Victor Becali. Cerca de 12 milhões de euros foram ilegalmente movimentados no período entre 1999 e 2005.

 

Porugal: Está sob investigação o presidente do Porto, Jorge Nuno Pinto, que, junto com o empresário Antonio Araújo, teria pagado 2500 euros para o árbitro Augusto Duarte manipular o resultado de uma partida entre o time em questão e o Beira-Mar, pelo Campeonato Português. Essa seria apenas a ponta do iceberg, um esquema de manipulação muito maior.

Depois de tanta podridão, caro leitor, é preciso dizer: esses não são os únicos. Aguardem o próximo texto deste colunista, que irá tratar da situação do futebol italiano, que ainda hoje colhe os frutos plantados nos anos de corrupção pelo qual passou.

 

O futebol italiano merece um capítulo à parte nessa longa história da corrupção do ano de 2008. Isso tudo aconteceu até o dia de hoje, 14 de fevereiro. E ainda falta 10 meses para passarem…


About this entry