Ao Ataque, Paulistas!

Por Alessandro Jodar

Não é novidade para ninguém que os quatro grandes clubes de São Paulo possuem excelentes treinadores, possivelmente os melhores do Brasil. A não ser que você não goste de futebol (ou que more em uma caverna), sabe que Wanderley Luxemburgo voltou para o Palmeiras, Leão para o Santos, que Muricy Ramalho continua no São Paulo e Mano Menezes chega ao Corinthians para repetir o que fez no Grêmio e blá, blá, blá…

Talvez toda essa glamourização em torno dos técnicos tenha sido o principal fator responsável por ofuscar uma feliz novidade nos times paulistas: a definição dos ataques. Muito se falou das contratações de Santos, Palmeiras, Corinthians e São Paulo, mas faltou exaltar o fato de que, hoje, todos possuem linhas ofensivas mais que respeitáveis. Uma condição que vai de encontro com o paradigma predominante de anos anteriores.

Há tempos a situação mais calamitosa era a do Palmeiras. Desde a saída de Vagner Love, muitos nomes passaram pelo ataque palestrino, mas nenhum deles conseguiu fazer jus à camisa alviverde. Kahê, que marcou alguns gols quando chegou, mas ficou marcado mesmo por parecer o ogro Shrek, Rodrigão, esse é mais recente e não deixou saudades (certo, palmeirenses?), Warley, ex-São Caetano, e o experiente Renaldo, que veio do Japão ganhando um salário na faixa dos 100 mil e jogou um futebol triste, mas triiiiste meeeeesmo, são alguns jogadores que estrelaram o ataque dos pesadelos palmeirenses. Com a chegada de Alex Mineiro e a volta de Osmar, o Verdão tem um grande matador e, pelo menos, um bom reserva para a posição.

No Santos, muitos nomes questionáveis também passaram, até a chegada de Kléber Pereira, no ano passado. Dentre os vários atacantes jamais esquecerei de Rodrigo Tiuí, que ficou imortalizado em minha memória por conta de um lance inesquecível: dentro da grande área ele dominou e bateu, um bicão daqueles. Chutou cruzado, soltando todo o peso do corpo na perna direita – sabe quando a pancada sai daquele jeito? Então. Pegou em cheio… no chão. Devido à força com que seu pé acertou o gramado, ele voou. Estatelou-se no campo e o juiz, inapelavelmente, marcou o pênalti. Dependendo do ângulo, talvez até parecesse que ele fora derrubado por um carrinho do defensor, mas não, a queda foi culpa da ruindade mesmo. Para não ficar só em um exemplo: Robgol, Jonas e Léo Lima também fizeram escola.

Com a MSI torrando dólares e Nilmar e Tevez no ataque, os corintianos não tinham do que reclamar. Mas, como se sabe, a parceria aos poucos ruiu e o dinheiro – esse, rapidamente – evaporou. Foi então que teve início uma espiral de decadência que se refletiu no ataque alvinegro. Rafael Moura era reserva do argentino, mas virou titular assim que o craque debandou. Mostrou ter grande “habilidade”, era um exímio perdedor de gols. Deve ter aprendido com Bobô, verdadeiro professor nessa modalidade. O garoto até era uma grande promessa, porém, quando jogava pelo time principal… O carioca Jean, que veio do Vasco, também chegou prometendo. E você sabe: promessa é dívida. Bem, digamos que ele saiu devendo. E que tal Abuda? É, daí dificilmente sairia coisa boa. Hoje, Finazzi é o matador nato do ataque corintiano. Ídolo da torcida, foi um dos poucos que se salvaram do estigma do rebaixamento.

Talvez o São Paulo até possa ser considerado uma exceção, mas, após perder Ricardo Oliveira, a posição de matador ficou vaga. Tanto que desde então o tricolor é louvado por sua retaguarda eficiente, verdadeira marca do time nos últimos anos. A maior aposta foi Dagoberto, que ainda não reencontrou o futebol que jogava no Atlético Paranaense, Borges, que resolvia no Paraná, já não quebra o galho, Leandro Guerreiro faz jus à sua alcunha, mas não vai muito mais longe que isso e, ainda que Aloísio seja bom jogador, não é nem de longe o goleador que a torcida espera. É bom, mas não é assim um Adriano. Com o imperador a história é outra e, se tudo der certo, pode ter certeza que a indefinição no ataque são-paulino chegou ao fim.

Em suma, após uma série de atacantes que não vão deixar saudades, os times paulistas ostentam linhas ofensivas de fazer inveja nesse início de 2008. Assim, todos saem felizes. Menos os zagueiros, é claro.

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Bola Fora:

“Não sei, eu estava aquecendo.” – Rafinha, jogador do Paulista de Jundiaí que admitiu não saber quais foram as instruções do técnico ao time. Ele foi questionado na volta do intervalo, no jogo contra o Corinthians. Sua entrada devia trazer mais ofensividade à equipe que perdia por 1 a 0. Placar final: 2 a 0. Talvez tenha faltado comunicação…


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