Fale Bem Ou Fale Mal, Mas Falemos da Copinha

Em 2008 a Copa São Paulo de Futebol Júnior chega à sua 38ª edição. Com representantes de todos os estados da federação, o que antes era apenas uma competição paulista tornou-se um campeonato de âmbito nacional. Como não podia deixar de ser, um torneio com tamanhas proporções chamou a atenção de torcedores e mídia, que passaram a acompanhar mais de perto a Copinha – apelido carinhoso da Copa São Paulo.

No entanto, na medida em que cresceu o interesse do público pelo campeonato, cresceram também os interesses empresariais. Jogadores jovens como os que participam do torneio (até o ano passado a idade limite era 21 anos, nesse ano caiu para 19) são um investimento futuro que pode ser bem lucrativo, e, por isso, muitos empresários se aproveitam do campeonato para mostrar o futebol de suas apostas. Ou seja, a Copinha acaba sendo usada como mero anúncio publicitário.

Mas esse não é a única crítica que se faz à Copa São Paulo. Muitos também defendem que é um exagero a participação de 88 equipes, visto que esse número elevado acaba por diminuir o nível técnico do campeonato. Inflando a competição com times fracos e tantos outros montados por empresários, a organização da Copinha às vezes dá grande margem para se acreditar em politicagem.

O calendário também não é dos mais adequados: a data de início este ano foi dia 5 de janeiro, e a final é tradicionalmente no dia 25 (data do aniversário da cidade de São Paulo). A segunda – e mais empolgante – fase do torneio é jogada concomitantemente ao início do Paulistão, o que ofusca a luz dos holofotes da Copinha. Além disso, os dois times que disputarem a decisiva vão ter jogado oito partidas num espaço de tempo equivalente a três semanas, número elevadíssimo para um campeonato profissional como se pretende a Copa São Paulo. Mas o pior mesmo são as más condições a que muitos garotos são sujeitos, viajando de modo precário e alimentando-se mal para, na maioria das vezes, serem humilhados pelos grandes clubes que tem condição de manter uma base decente e com acompanhamento profissional.

Por outro lado, nenhum destes meninos foi obrigado a participar, todos vêm por vontade própria e com a esperança de serem reconhecidos como grandes atletas. Nesse sentido, será que não é justo deixar que estes meninos com menos chance tentem a sorte na Copinha, ainda que tenham que passar por tantas dificuldades?

Quanto aos times de empresários, talvez já tenha passado a hora de perceber que futebol é um grande negócio e, contanto que se respeite a idade e a vontade dos meninos, por que um empresário não poderia montar uma equipe? Pode ter certeza, assim como torcedores e jornalistas, eles também procuram e querem talentos.

De qualquer maneira a Copinha é uma competição interessante e que vale ser acompanhada. Dela já participaram grandes craques como Falcão, Casagrande, Robinho, Kaká, entre outros. Agora, jogo a bola para você, leitor. O quê pensa da Copa São Paulo? Vale a pena? Minha, sua e da garotada?    

Bola Fora

 “O Palmeiras pode perder seu goleiro, Diego Tardelli, para o Milan, da Itália.” – Fernando Vanucci, jornalista da Rede TV. O comentarista, que anda meio grogue desde a vitória da Itália na Copa, se retratou em seguida, mas confundiu água e vinho. Tardelli, o menino mau do São Paulo, e Cavallieri, o bom menino do Palmeiras. Bom, pelo menos a “África do Sul é logo ali…”.


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