O teórico PVC

Paulistano de Perdizes, e palmeirense de coração, Paulo Vinícius Coelho é referência quando o assunto é jornalismo esportivo. Sua vasta memória, capaz de lembrar dados históricos de qualquer time em qualquer época, o que já lhe rendeu o apelido de “robozinho”, e seu amplo conhecimento dos aspectos táticos e técnicos do futebol causam admiração nos fãs de futebol e servem como exemplo a futuros jornalistas. 

PVC se formou em jornalismo pela Universidade Metodista. Deu seus primeiros passos na profissão ainda no primeiro ano de faculdade, em 1987, publicando matérias no semanal O Diálogo, e no Jornal de São Bernardo. No ano seguinte, conseguiu um emprego na Gazeta de São Bernardo, também semanal, onde, segundo ele, “era repórter de tudo. De buraco de rua, de esporte, de política, de geral.” Trabalhou na Gazeta do ABC, no Diário do Grande ABC e na Placar. Foi um dos jornalistas fundadores do diário Lance!, em 1997, onde está até hoje, e faz parte da equipe de comentaristas do canal de TV a cabo ESPN Brasil. Ganhou três vezes o Prêmio Abril (1993, 95, 97) e já escreveu três livros: Jornalismo Esportivo (2003), Os 50 Maiores Jogos das Copas do Mundo (2006) e Futebol Passo a Passo: Técnica, Tática e Estratégia (2006).

No dia 11 de setembro de 2007, o jornalista nos concedeu uma entrevista na sede da ESPN Brasil, onde falou de assuntos que variaram desde seus anos de faculdade até a Copa do Mundo de 2014, e das suas inúmeras teses sobre esse esporte tão amado que é o futebol,

DB – Como nasceu seu interesse pelo jornalismo?

Quando comecei a me aproximar da idade de pensar no que eu iria fazer da vida, eu pensava em jornalismo e em trabalhar com futebol. Mas eu era tímido, e meu pai falava que isso atrapalharia, que eu iria ganhar pouco, logo, devia fazer outra coisa. Por isso, quando prestei vestibular, aos 17, passei um bom tempo pensando em fazer outros cursos, como Ciências Sociais, Direito. Mas nada de Exatas (risos).

DB – Como foram os seus anos na faculdade de jornalismo?

A relação que o pessoal da minha turma tinha com a faculdade era diferente da minha, ou seja, muita gente entrou achando que iria cair em um grande centro de conhecimento. Eu não pensava assim. Esperava ter uma seqüência da minha vida escolar. Sabia que era diferente, encarava apenas como um meio de transição para a vida de trabalho. Isso não me causou frustração nenhuma. Ao contrário de boa parte das pessoas que estudavam comigo, quando perceberam que não estavam em um grande centro de conhecimento, o que eu acho que não existe.

DB – Quem você mais admira no jornalismo hoje em dia?

Eu nunca tive um cara que fosse minha referência, mas eu sempre falo de dois, que tinham textos brilhantes. Eu sempre li a Placar, dos 10 aos 21 anos, mas nunca tive uma tara no Juca (Kfouri). Um é o Lemyr Martins, um cara que cobria Fórmula 1 e Copa da Uefa nos anos 70, e o Divino Fonseca. Esse último foi interessante para mim porque eu lia, depois trabalhei junto com ele. Quando fui pro Lance!, os caras precisavam de um correspondente em Porto Alegre, e eu sugeri o nome dele. Mais tarde conversei com ele, que falou comigo em um tom super agradecido. Foi a primeira vez que houve uma inversão na minha vida. Além desses, tem o Sérgio Martins, que é o autor da matéria da Máfia da Loteria Esportiva, e foi meu editor-chefe entre 1991 e 1994.

DB – Esse foi o grande furo da história da Placar?

Sim, o Juca pautou e o Sérgio descobriu a história inteira.

DB – No jornalismo você sempre pensou na área esportiva?

Eu sempre pensei em ser um jornalista esportivo. E mais. Sempre pensei em ser um jornalista de futebol, que é o que eu sou. Agora, eu sempre soube que para ser um bom jornalista de futebol eu preciso antes de tudo ser um bom jornalista, e isso inclui você se atualizar, ler jornal, saber o que está acontecendo. Você não pode ser um alienado, até porque o futebol está dentro disso tudo. Se o dólar sobe ou desce, para ser simplista, no mínimo interfere na possibilidade que um clube brasileiro tem de vender ou contratar um jogador. Um jornalista tem que ser sempre um cara apto a fazer matéria de qualquer área. Mas eu sempre pensei em fazer matéria de futebol e pretendo continuar fazendo.

DB – Você almejava cobrir o dia a dia dos clubes ou ser comentarista?

Quando eu fui para a faculdade eu achava que podia fazer rádio. Logo que fui fazer jornal eu vi que era aquilo que eu queria. A televisão aconteceu por acaso, o Trajano gostava do meu trabalho no Lance! e me chamou para trabalhar na ESPN Brasil. Mas ainda no começo dos anos 90 eu comecei a pensar que como comentarista eu tinha alguma chance, porque eu achava que via as coisas direito. Acabou acontecendo por acaso, mas não era objetivo.

DB – Qual a diferença do jornalismo de quando você era garoto pro atual, praticado pelo Lance!, por exemplo?

Hoje tem menos investimentos em reportagens, mas por outro lado, há mais cuidado com a exatidão. Se você pegar a Placar, muitos textos dos anos 70 eram construídos de outras formas, não existia um cuidado com exatidão. Por isso é difícil precisar, por exemplo, dados históricos para comparar com o passado, porque no passado não existia esse tipo de estatística.

DB – Existe espaço para uma revista diferenciada de futebol, como é hoje a Trivela, e como foi na sua época a Placar?

Existe espaço para uma revista que saiba quem e quanto ela vai atingir. Eu não sei quanto vende a Trivela. Se for 20 mil, é uma tiragem pequena para os padrões dos anos 70, se vender 40 mil, é um bom número para os padrões atuais. Se você fizer uma revista com a pretensão de arrebentar em vendas, não vai conseguir. As pessoas compram menos revistas do que naquela época, até pela facilidade de conseguir a informação na internet e nos outros meios de comunicação. Revistas que vendiam 500 mil exemplares, como a Playboy, hoje vendem muito menos. Mas há espaço para ter uma revista que trabalhe dentro deste limite da realidade. Quando eu conheci o Juca Kfouri, em 91, ele dizia uma coisa sobre revistas esportivas que eu não conseguia acreditar, mas que era a pura verdade. Dizia ele: “Não existe nenhuma grande revista esportiva no mundo, nenhuma que venda 200 mil exemplares.” As revistas de futebol no mundo vendiam 80, 90, 100 mil exemplares naquela época, hoje menos. Por quê? Existe um público que vê o jogo de futebol, um que acompanha os programas esportivos pós jogo, outro que ouve o rádio pós jogo, um público que vai detonar os jornais do dia seguinte, vai sobrar pouca gente pra ver a revista no fim da semana.  Das 100 mil pessoas que vão pro estádio não é o todo que vai comprar suas revistas.

DB – E o caso da Sport Illustrated ?

Ela é um caso a parte. Ela é uma revista de esportes, que é uma especialidade que não existe em nenhum lugar do mundo, porque toda vez que você tenta misturar tênis, vôlei e futebol, acaba desagradando todo mundo. O cara do futebol quer mais espaço, o do tênis não se conforma como você deixou só quatro páginas para o perfil do Federer (Roger), e o cara do vôlei não entende como você fez um problema do tamanho do Ricardinho caber em duas páginas. A diferença é que nos EUA – e isso é uma tese minha – temos um país de muita gente com muito dinheiro. Então você tem especialidades de revista de parafuso, e funciona. Tem espaço até para uma revista que não existe em nenhum lugar do mundo, como é essa de grandes reportagens sobre esporte. Não tem outro exemplo parecido, que venda muito para muita gente interessada em informação esportiva, porque normalmente a revista vai pegar o segmento, o cara que é tarado por futebol.

DB – No caso dos jornais têm alguns específicos, como Olé, Marca

Mas o Marca, por exemplo, vendia 500 mil exemplares em 1997 e era o jornal mais vendido da Espanha. Hoje, ele continua sendo o jornal mais vendido da Espanha, mas vende 300 mil. É uma restrição do mercado editorial mesmo. Eles até estão fazendo uma coisa que está subindo a venda de novo. Antes eles disponibilizavam o conteúdo na internet, hoje não tem mais. A edição de banca é a edição da banca.

DB – Como funciona o seu arquivo pessoal?

Minha casa está muito bagunçada, preciso arrumar. Tem muita coisa de revista e livros que eu consulto regularmente. Mas o que eu faço, e que tem me ajudado muito, é arquivar fichas de jogos. Toda rodada arquivo fichas e classificações, porque assim você vai saber que na 25º rodada em 2003, tal time tinha 54 gols e tinha tomado 21. Você até consegue estes dados na internet, mas pra mim é muito mais fácil ter o meu arquivo, das coisas que eu acho importante, e das que eu percebo que podem se tornar. Mas esses dados estão no computador, porque tenho muito papel na minha casa, e papel é uma cosia que cresce. Um dia o papel vai virar para mim e falar “Você não cabe mais aqui”.

DB – E quanto ao seu apelido Robozinho?

O amigão (Paulo Soares) que brinca com isso. Mas tem coisa que é de memória e coisa que é de trabalho. Tem coisa que eu lembro. Eu estava falando do Vasco de 1997 agora no programa Bate-Bola, e eu sei a escalação de cabeça. Agora tem coisa que é de memória, mas é para ser de trabalho. Mesmo quando você tem boa memória, ela um dia vai te trair. Então não confie nela, cheque. Somos jornalistas para apurar e checar a informação.

DB – Qual foi a sensação de receber o Prêmio Abril, pela melhor reportagem esportiva, por três vezes?

O primeiro foi o mais engraçado porque eu sabia que iria ganhar. A gente ficava de madrugada fechando a revista, e os caras que faziam a revista do prêmio ficavam na mesma sala. Agora tem a brincadeira do Prêmio Comunique-se, que é o quarto ano que eu sou indicado e sempre perco, fico sempre entre os dez, depois entre os três, mas nunca levo. Eu sou o Vasco (risos). Esse ano fui indicado em Mídia Impressa, de novo. Já perdi pro Juca (Kfouri) duas vezes e para a Soninha uma vez.

PS: A entrega do Prêmio Comunique-se aconteceu dia 18 de setembro, e Soninha venceu a categoria Jornalista Esportivo – Mídia Impressa, deixando PVC mais uma vez no quase.

Voltando ao Prêmio Abril, o segundo foi um que não era meu. Eu não o sentia meu. Foi pela cobertura na Copa de 1994, era eu e o Juca, e eu achava, na época, que ele estava ganhando por questões da Editora Abril. O terceiro foi o da matéria completa do Amsterdam Arena. Foi muito legal ganhar porque a matéria tem uma ótima história. Fomos para Amsterdam fazer o infográfico do estádio. Eera a primeira vez que íamos com um infografista, um repórter, e um fotógrafo, para desenhar o estádio na semana da inauguração. Eu acertei tudo com a assessoria de imprensa do Ajax e fomos. Chegando no hotel, liguei para o assessor e ele falou “Como assim, você não recebeu meu fax, dizendo que estava tudo cancelado”. Eu não tinha recebido fax nenhum e já estava em Amsterdam. Ele não sabia o que fazer e disse “Dou para você uma hora antes do jogo Ajax e AZ Alkmaar, que é quinta-feira, e você tem que fazer tudo”. Eu disse “Fodeu! Isso não vai dar certo nunca.” Desliguei o telefone e falei pros caras “Vamos fazer o seguinte, vamos lá para a porta do estádio, pelo menos a gente faz ele por fora e mais o que der para fazer”. Nós fomos e encontramos uma porta aberta. Entramos e começamos a percorrer o estádio inteiro. Descemos nos vestiários, tiramos as medidas, fotografamos, entrevistamos gente que estava trabalhando, tudo bonitinho. Subimos, fomos na sala de segurança, deixaram a gente entrar. Fizemos tudo e no dia seguinte voltamos, ficamos mais uma hora e meia no estádio. No dia da visita oficial foi assim: “Aqui é o vestiário e vocês não podem entrar, aqui é a sala de segurança que também não pode entrar”. E a gente já tinha feito tudo. Então o mais legal é a história dela, nós demos muita sorte naquela matéria.

DB – O que diferencia a abordagem da ESPN Brasil para com a dos outros canais?

Eu acho que nós temos um grande diferencial em relação a todos os outros. Uma coisa que talvez a Bandeirantes tenha tido nos anos 80, que é a relação com o telespectador. Eu não sei qual é essa magia, não é simplesmente ler e-mails. Nós temos uma intimidade com o cara que está em casa. É difícil explicar o porquê, mas temos. É uma identidade que existe entre o telespectador e a gente que eu não vejo entre o cara que assite SporTV, por exemplo. Mas é um mistério, e eu não sei explicar porque a gente tem e eles não. É como explicar porque uma pessoa tem carisma outra não.

DB – Você trabalharia na TV Globo ou nas outras TVs abertas?

Eu não penso em nada disso. Se um dia tiver um convite eu estudo. Eu aprendi uma coisa na vida que é: convite nunca é ruim. É uma coisa que você pode recusar, se quiser. Eu não penso em sair daqui, minha vida está muito estruturada aqui, está muito legal. Mas amanhã pode ser diferente, não sei.

DB – Mas existe a possibilidade de se fazer um bom jornalismo na TV Aberta, como é feito na ESPN Brasil?

Eu tenho uma tese sobre a TV aberta. Havia no Brasil sete canais. A Globo, com programação de qualidade e com os populares, e que tinha, até os anos 80, uma rejeição muito grande de quem associava o seu crescimento aos governos militares. Mas a programação era como a de hoje. Existiam também outros seis canais que se dividiam ao meio. Os populares: SBT, Record e Gazeta, em má fase. E outras três emissoras que procuravam ter programação de qualidade: Cultura, Manchete nos anos 83/84/85 e Bandeirantes. Quando veio a TV a cabo, esse público que queria programação qualificada migrou. Então o cara botava no ar um Canal Livre, da Bandeirantes, que podia ter 2,5 pontos, mas que passava a dar 0,5 pontos, 0 pontos. O cara que estava interessado naquele programa, também estava interessado em um documentário que ia passar no GNT. Quando isso ficou evidente, os canais que tinham programação qualificada na TV aberta começaram a aderir ao popular. E acabou virando este escracho que é a TV aberta hoje, e o esporte está dentro disso. Eles precisam a todo custo de audiência para o mercado publicitário anunciar. Só que um dia o mercado publicitário vai perceber também que o público que assiste não é o que tem dinheiro.

DB – Falando em publicidade, o que você pensa do merchandising no jornalismo esportivo?

É incompatível. Uma coisa é você ter interação entre jornalismo e publicidade. Vou dar um exemplo. Vocês viram a história do guru do Juventude? Ele é um chileno chamado Pin, que presta serviço para a Imobiliária Abyara, aqui da Av. República do Líbano. O cara da Abyara, por acaso, eu conheci ano passado, e descobri que ele nos assiste bastante. Bom, ele está fazendo publicidade na camisa do Juventude, caiu para a segunda divisão. O que eu posso fazer sobre isso? Ligar para o comercial e falar que a Abyara pode ser um bom anunciante para o nosso canal. Eu vou dar uma dica para o cara do comercial. Quem vai tratar do assunto é ele. Por quê? Porque no dia seguinte, se eu tiver que dizer que os caras do Juventude são malucos, que permitem que o patrocinador interfira por ser tarado por numerologia e que isso não é profissional, eu tenho total independência para falar. Agora, e se eu fizer o contato direto com o cara? Qual é a independência que eu tenho? É incompatível. Já é muito difícil a relação que você tem com fonte. Um exemplo: eu sou muito próximo do Caio Júnior, não chega a ser amizade, mas ele já esteve na minha casa. Sou próximo o suficiente para, se eu não tomar cuidado, deixar interferir, e ficar elogiando o trabalho dele. Agora, a relação com a fonte é complicada porque você se aproxima de tal maneira que ele te passa informação, ou cria um vinculo de afinidade, que se não tomar cuidado, protege um cara em detrimento de outro. Agora, imagina quando tem dinheiro envolvido? Por isso que eu considero incompatível.

DB – Qual foi o seu primeiro jogo em estádio, como espectador e depois como jornalista?

Portuguesa x Juventus, em março de 1975, o campeonato que a Portuguesa foi vice-campeã. Eu fui com meu avô e tinha 5 anos. Lembro como se fosse ontem. Depois eu fui em muitos jogo do Santos, porque meu pai era santista. Como jornalista, na Gazeta de São Bernardo eu cobri um Palestra x São Bernardo, em 90, que era a primeira vez em 40 anos que os dois times estavam jogando, e foi muito legal. Eu fiz uma matéria para a Gazeta com os dois times locais.

DB – Você costuma ir como espectador a estádios? E na Europa, já foi?

Sim, sempre que dá eu vou. Fui ver Palmeiras e Botafogo, no primeiro turno do campeonato brasileiro. Mas na Europa só fui trabalhando.

DB – Quais dos Campeonatos Europeus você prefere?

Todos (risos). Eu gosto de futebol.

DB – Você é palmeirense, não é? Como o jornalista deve lhe dar com o clube que ele torce na hora de escrever?

Sim, sou palmeirense. E eu tenho uma tese sobre isso. E acho que é a melhor sobre esse assunto, modéstia a parte. Eu não digo o meu time nunca. A não ser quando é relevante. Quando é relevante? Sempre que me perguntam. Toda vez que me perguntam, eu exerço a primeira lição da minha profissão: digo a verdade. Se eu não disser a verdade sobre isso, eu não tenho moral para dizer sobre nada. Se você perguntar qual é o meu time, e eu disser que torço para o Palestra de São Bernardo, e depois dizer que o Cuca não tem convite do Corinthians, mas que ele pensa sériamente em se receber o convite trabalhar no Corinthians em 2008, que moral eu tenho para dizer que isso é verdade? Nenhuma. E pode ser relevante por curiosidade ou porque ele acha que eu estou distorcendo alguma coisa. Mas não interfere. Jornalistas de política muitas vezes dizem que anulam  seus votos, mas e um cara que cobre política e vai votar ? Até que ponto o voto dele, que é a conciência dele, que é a preferência dele, que é a avaliação dele sobre o cara mais competente, interfere no trabalho dele? Teoricamente, vai interferir mais, porque eu torço pro meu time quando estou vendo o jogo, mas analisando a partida eu não estou torcendo.

DB – Como você virou palmeirense?

Meu avô era português e teve um filho que é 15 anos mais novo que o meu pai, e nove mais velho do que eu. Quando eu tinha seis e ele 15, eu queria ser igual a ele. Meu avô português disse a ele assim: “ Tu vais torcer para a Lusa, ó pá. E tu também vai ser sócio deste clube que temos aqui próximo a nossa casa, esse tal de Palmeiras. Mas tu não vais torcer para este clube, vais torcer para a Lusa. Mas tu vai ser sócio do Palmeiras, ver o Ademir da Guia treinar,o Leivinha, o Leão, o Eurico, Luis Pereira, todos eles. Tu ficas ali vendo-os treinar e depois vais ao Canindé ver a Lusa jogar.” E assim meu tio virou palmeirense e me fez a cabeça para ser também.

DB – Qual o melhor jogador da atualidade?

Esse ano é o Kaká. Talvez ele seja mais completo que o Ronaldinho, que eu gosto muito. Mas são dois grandes jogadores de hoje.

DB – E que você viu jogar?

No mundo, Maradona. Pelé eu vi pouco. O Van Basten também foi um jogador fabuloso. Jogador brasileiro durante muito tempo eu falei que foi Falcão, mas ele não fazia gols e isso de alguma maneira tem um peso. Eu falava Falcão e não falava Zico, mas acho que são os dois. O Falcão jogava demais.

DB – E hoje jogando no Brasil?

Está vago.

DB – O São Paulo é mesmo um time acima da média?

Eu acho que ele é um conjunto acima da média. Não é um time de grandes jogadores. O símbolo disso para mim é o seguinte: o São Paulo, em 2007, tinha nove titulares que faziam parte do grupo em 2006. Cruzeiro, Palmeiras, Santos, Fluminense e Botafogo tinham cinco em cada um. O Breno não era titular do time, mas treinava com o grupo. Era júnior, entrava num treinamento ou outro. O cara sabia como o time jogava e quando entrou já estava pronto, não pecisava mudar esquema.

DB – Os jogadores das décadas de 50/60/70 eram melhores que os de hoje ou isso é saudosismo?

Eu tenho uma tese sobre isso…mais uma (risos). Não é o futebol que perde a graça, a gente é que fica velho. Na a época que o Zizinho jogava, se dizia que bom era o Friedenreich. Assim como tinha gente que via o Pelé jogar e dizia que bom mesmo era o Leônidas. O que acontece é que tem grandes jogadores e maus jogadores em todas as épocas. E hoje há uma carência em grandes jogadores no nosso solo, porque tem o grande vilão, que é o êxodo. Agora, dizer que não tem grande jogador brasileiro… Tanto tem que está todo mundo na Europa. O maior salário da Itália é do Kaká e da Espanha é do Ronaldinho. Mas nós temos uma tendência, no futebol, cinema, música, de comparar o que nós vemos hoje, aos 20/30 anos, com o que víamos aos oito, 10 anos, com o olho mágico, infantil. Tudo o que você vê quando pequeno, vai achar sensacional. Outro dia, na rádio, o Flavinho (Gomes) perguntou quem jogou mais, Petkovic ou Aílton Lira, um jogador do santos de 78, que era bom, mas não ficou na história. Eu preferi o Pet, e falaram que eu estava louco. Mas não. Eu vi o Aílton Lira jogar com 8 anos de idade. Se eu deixar meu olho mágico me contar a história eu vou dizer que o Aílton Lira era melhor que o Pelé. Mas meu olho mágico está embaixo de uma cabeça que pensa. Eu tenho que comparar o que representa cada um. Niguém lembra do Aílton Lira, então ele não pode ser melhor que o Petkovic. Mesmo que ele fosse um gênio, o que não era o caso, mesmo sendo um grande jogador especialista em lançamentos. Eu tenho que pegar meu olhar da infância, botar a história e ver a realidade, colocar senso crítico. Senão vou dizer que tudo era mais legal quando eu tinha 10 anos. Por isso eu digo, não é o futebol que perde a graça, nós que envelhecemos. O que vem ao caso é que o jogador hoje está tão escancarado na sua frente, nas qualidades e nos defeitos, que ele nunca vai ser tratado como um mito, como foram tratados os craques do passado, e que você só via as qualidades expostas. Esse tipo de critica também deve servir pra você cultuar alguns que merecem ser cultuados, especialmente ao final de uma carreira, mas você não vai cultuar o homem, vai cultuar o que o cara foi como jogador, até por que é o que permite você continuar passando essa paixão de geração em geração, senão a gente vai passar a vida dizendo assim “É, eu vi o fulano jogar, era uma merda.”

DB – Qual a sua visão quanto a Copa do mundo de 2014? Será que vai ser uma farra com o dinheiro público?

Pode ser que seja, e provavelmente vai ser. Agora, o que me incomoda nesta história é que há anos a gente passa dizendo duas coisas: primeiro que o Brasil não tem condição de receber uma Copa do Mundo, e segundo, que não oferece conforto para o torcedor. A parte de estrutura de estádio, por exemplo: tem que melhorar não por causa da Copa, mas porque tem que atender o torcedor que tem que ir pro estádio e quer conforto. Para fazer isto é como na modernização dos aeroportos. Tem denúncia de corrupção em aeroportos modernizados, agora não é por isso que vão deixar de modernizar aeroportos. A mesma coisa a questão da Copa do Mundo. Não é prioridade do Brasil fazer a Copa, mas posto que já está definido que vai fazer, é preciso fiscalizar e usufruir. É o momento em que é preciso reformar a estrutura do futebol brasileiro, não pela Copa do Mundo, mas usá-la como desculpa para a reestruturação do nosso futebol. O que não pode acontecer é você sair da Copa dizendo que o torcedor brasileiro não tem conforto e que o futebol brasileiro não tem público porque o cara não pode ir ao já que não se sente confortável. Isso tem que acabar. Só não pode transformar na farra do boi. Se isso acontecer, tem que pegar, prender e botar na cadeia.

DB – O que você achou do Engenhão não ser incluído?

O Engenhão eu só vi por fora. Está lindo. Fiquei feliz com o Maracanã, que está brilhante. Ele não é inferior a nenhum estádio da Copa do Mundo da Alemanha, a exceção do Alianza Arena. Mesmo em relação à Berlim, que é lindo, mas é um estádio de 1936, que foi reformado, então é perfeitamente viável fazer a final da Copa no Maracanã. Precisa de alguns aprimoramentos? Sim. Mas é um estádio, hoje, absolutamente confortável.

DB – Em São Paulo, acha certo reformar o Morumbi?

Acho que sim, mas não precisa fazer farra do boi. Tem que reformar o Morumbi, mas transformá-lo num estádio melhor do que ele é. O Morumbi já é muito melhor do que há sete anos, por exemplo. Antes do estatuto do torcedor ele melhorou muito. A gente passa anos ouvindo, “Não vá ao estádio, porque tem violência, porque tem não sei o que” sem ter visto. Antes de Palmeiras e São Paulo, quando se falou “Não vá ao Parque Antártica porque é perigoso, são duas torcidas grandes em estádio pequeno”, a gente vinha de um jogo em 2005 e um em 2006 no Parque, sem nenhum problema de violência. Mas ninguém falou que havia dois jogos antes, no histórico recente, sem nenhum problema de violência. Você fala o que? Não vá. Uma coisa que precisa ser dita é que melhorou. O Morumbi é melhor do que era há sete anos, mas é um estádio perfeito? Não.

DB – Melhorou em que sentido, PVC?

Melhorou sinalização, alimentação, o fato de não ter aquele tumulto nas lanchonetes no intervalo por ter só a opção do Habbib´s, tem condição de ela vir até você, banheiros um pouco mais limpos, o sistema de segurança porque tem câmeras no estádio inteiro, ambulatório e esse tipo de coisa. Mas tem muito ainda para melhorar. A venda de ingressos, por exemplo. O Morumbi é um estádio que atende 100% do estatuto do torcedor do lado de dentro, e 40% do lado de fora. Agora tem uma coisa que eu não me conformo, às vezes, vou dar um exemplo. Eu fui ao show da Marisa Monte, no Tom Brasil. Muito bom. Minha mulher comprou ingresso pela internet, no Ingresso Fácil, do melhor local do Tom Brasil. Só que se eu compro na bilheteria da casa, que é muito longe, eu posso escolher um bom local. Como eu comprei na internet, eles me puseram em um lugar horrível. Eu comprei um ingresso de 120 reais (240, por serem dois) para ficar no pior lugar do melhor setor. Era melhor ter ficado no melhor lugar do pior setor. Quando eu cheguei ao estacionamento, tinha que deixar o carro com o manobrista. Só que como já conhecíamos o lugar, sabíamos que iria ser um grande tumulto para sair. Mas eu parei lá mesmo, e quando desci perguntei pro manobrista “Vai ter uma puta fila na saída, tem algum jeito de eu evitá-la?” Ele disse que sim, se eu pagasse na entrada, era só dar o bilhete no final que ele iria buscar seu carro. Não precisava buscar o bilhete porque eu já teria pago. Paguei. Saí do show e fui entregar o bilhete pro cara. Ele falou, “Não, tem que pegar a fila porque está chovendo.” Eu disse “E daí que está chovendo? Mais um motivo para você ir buscar meu carro senão vou ter que ficar aqui na chuva na frente dessa fila.” “Ah não posso deixar um cara aqui na chuva pra pegar seu bilhete, o cara lá vai chamar pelo rádio.” Eu vou tomar chuva pro cara chamar pelo rádio, genial. Por que o show foi do caralho? Eu tenho reclamações objetivas sobre. Quantas vezes você lê situações de problemas assim. O show foi legal , como quando eu vou em um jogo de futebol eu falo, o jogo foi legal. Só que, na mídia, o que você ouve? Que você foi a um jogo e sofreu, e foi um lixo, e que num tem conforto, num tem segurança e num tem porra nenhuma.

DB – A Mídia desmotiva os torcedores a irem aos estádios?

Não, eu acho que tem que falar o sim e o não. Tem violência do lado de fora dos estádios? Muitas vezes, mas nem sempre.

DB – Nesse sentido então a mídia anda meio unilateral?

Anda. O futebol tem um ciclo vicioso. Ele guia tudo para um lado só, é uma bola de neve. As pessoas vão para o estádio e voltam com uma reclamação, que produz um comentário, que gera outra reclamação e assim vai. Em algum lugar este ciclo precisa romper e começar a rodar para o outro lado. Não é a mídia que tem que fazer isso necessariamente, ela só não pode ser unilateral. È fácil falar mal, ficou difícil falar das coisas legais. Até pra dizer que o jogo foi muito bom fica difícil. Exemplo: Vasco e São Paulo (0x2). O São Paulo jogou mal a primeira etapa, mas fez um bom jogo no segundo tempo. Foi uma partida espetacular? Não, mas se eu falar isso vão dizer que eu sou “poliana.” Mas não foi uma merda, foi um bom jogo, como teve muitas partidas ruins no passado. Depois do jogo Ucrânia e Suíça, o Kalazans falou que foi horroroso, que nada mais era como antigamente, quando tinha Brasil e Inglaterra, partidas maravilhosas, em 1970. Eu respondi para ele no ar: Kalazans, você não pode comparar Ucrânia e Suíça com Brasil e Inglaterra. Tem que comparar com Itália 0x0 Israel na Copa de 70, o mesmo torneio. Teve um Palmeiras 0x1 São Paulo em 83 que foi o pior jogo que eu fui na minha vida. Gol aos 41 do segundo tempo. Faz 24 anos. Jogo ruim não começou semana passada, e nem jogo bom terminou há 20 anos.

DB – O que você acha das torcidas organizadas?

O problema não é a torcida organizada. O problema é criar benefícios para o torcedor credenciado e tumultuar a vida de torcedor normal, como está acontecendo hoje no Parque Antártica, por exemplo, com um espaço pequeno e 800 credenciados. O que resolve o problema de violência é acabar com a sensação de impunidade. Você pega, prende, anuncia que o cara está condenado há 14 anos, como aconteceu duas vezes este ano. Vai diminuir mais na medida em que as pessoas saibam que tem dois caras que foram presos por isso e condenados a todo esse tempo. As pessoas não sabem disso. Os caras continuam indo para brigar.

DB – O que você acha do que aconteceu na Inglaterra quanto a isso?

O problema dos hooligans é uma coisa. Há duas semanas teve a morte de um garoto. Torcedor do Everton. Mas a Inglaterra tem um projeto, que incluiu reforma nos estádios com financiamento do governo, aumento do preço que influi em mudança de público, tem muito menos gente sem grana que vai a estádio de futebol hoje. Não precisa chegar neste limite. Mas tem que ter um processo, que inclui melhoria nos estádios e, fundamentalmente, punição. O cara que se envolve em violência tem que estar preso.

DB – O que você acha da figura do empresário no futebol?

Ele tem que ser regularizado. Tem empresário bom e ruim. Saiu um artigo ano passado no The Guardian sobre o Pini Zahavi, o israelense que foi sócio do Kia e do Bóris nesta história do Corinthians, e que tentou entrar no Flamengo, empresário do Giovani dos Santos, do Rio Ferdinand. Ele falava que os clubes ingleses vão precisar perceber que o que acontece no mundo inteiro vai acontecer lá, ou seja, que o clube precisa ser sócio do agente. Se eu tenho 20% dos direitos sobre a venda do Rio Ferdinand, só 20% de investimento a menos que o Manchester precisa fazer nisso. Por isso, pode usar a parte desses 20% no aumento salarial do cara. Se não for assim, não vai concorrer com clube que faz isso. E vários clubes no mundo fazem isso. O Luís Fabiano é jogador do Jorge Mendes, e joga no Sevilla. O empresário precisa ser regulado. Tem que ser punido quando faz picaretagem. Não pode um cara ter prisão decretada no Brasil e poder negociar jogador na Inglaterra, como aconteceu com o Kia. Mesmo com a FIFA sendo solicitada a interferir ela lavou as mãos, isso não pode acontecer. Agora não é um caso do Brasil, e nem da Lei Pelé. Se fosse não tinha gente vendendo jogador pro Sevilla, não tinha português dono de jogador brasileiro que joga no Sevilla, não tinha israelense dono de jogador mexicano que joga na Espanha.

DB – A Lei Pelé foi positiva?

Sim, apesar de ter cosias que precisam mudar. Ela é conseqüência do “caso Bosman”, em 1995 na Europa. O Bosman era um jogador belga que j,atuava no Liége, clube de seu país, e queria ir para o Dunkerque da segunda divisão francesa. Acabou o contrato e ele disse “Tchau, vou embora, tenho uma proposta melhor.” O clube falou que não, que o passe era dele, então o Bosman levou o caso à justiça. Ele dizia que não podia estar vinculado a um clube se o contrato de trabalho tivesse acabado. Ele acabou ganhando a ação na Corte Européia e ela virou jurisprudência. Ou seja, todo jogador ao final do contrato passou a estar livre. Isso vale para o mundo inteiro. Não adianta discutir se é certo ou errado, o fato é que, terminado o contrato, ele vai embora. A não ser que receba uma boa proposta. Como qualquer trabalhador comum. A Lei Pelé, nesse ponto de vista, é conseqüência do que aconteceu na Europa. O que tem que regular é, por exemplo, no caso de jogadores que vão fazer o primeiro contrato profissional. Este contrato, pela lei brasileira, não pode ser de cinco anos. Tem que ser, no máximo, de três. O clube brasileiro acaba sendo prejudicado, incentivando o êxodo. Se o contrato puder ser de cinco anos, como o de qualquer jogador profissional, o garoto que se profissionaliza aos 16 fica até os 21. Ele vai ter que cumprir esse contrato. É pouco, mas é o limite. Não existe outra saída. O único jeito é você apostar no jogador que você acha que vale a pena. Assim como o Santos está fazendo com o Neymar e com o Jean Carlos Chera. Ou você aposta, e paga um pouco mais caro por isso, ou fica a mercê de um mercado que só vai te oferecer jogador médio.

DB -Mas a Lei Pelé acabou deixando os jogadores nas mãos dos empresários…

Não é a Lei Pelé. Isso também acontece na Europa. O que é que deixa os jogadores nas mãos dos empresários? A Estupidez dos jogadores. Por que o Rio Ferdinand (jogador inglês) é agenciado pelo Pini Zahavi? Porque ele não se garante para reformar o contrato dele conversando com dirigente, então ele recorre ao cara que dá a ele assistência jurídica e técnica e até psicológica, onde ele se coloca como negociante e negocia com o clube. Isso é um caso de um jogador inglês, que tem uma cabecinha de ostra igual a do brasileiro. Mas precisa deste cara? Não. E porque esse cara ganhou força? Por que ao final do contrato o jogador está livre, e ele não se garante para avaliar as propostas que surgem pra ele. Mas esse é um processo mundial, a liberdade do jogador ao final de contrato nasceu na Europa, e não na Lei Pelé. A lei foi conseqüência disto. O que acontece no Brasil é retrato do que acontece no futebol mundial. A Lei tem cosias a serem acertadas, por exemplo, a história do contrato profissional. O Neymar, por exemplo, tem um contrato de três anos, isso significa que se ele estourar com 18, seis meses depois ele pode assinar um pré-contrato e ir embora para o Manchester United.

DB – Qual seria a melhor forma de proteger os jovens que estão surgindo do assédio dos clubes da Europa?

É difícil proteger. Algumas coisas têm que mudar. Primeiro, temos que conseguir trazer investimentos para cá. A outra é a história do “Estamos falando muito mal de nós mesmos”. Já virou consenso que o cara vai aparecer aqui e jogar lá. Na cabeça do jogador não existe a possibilidade de fazer carreira no Flamengo. Isso precisa mudar. Quando surge uma proposta, não vou dizer uma com a grana do Ilsinho, do Shakhtar Donetsk, mas para o Alex Silva jogar no Racing Santander. Ele tem que colocar na ponta da balança se é melhor o Racing ou o São Paulo. Eu não tenho dúvidas que é melhor ficar no São Paulo, mesmo que ele ganhe um pouco menos. Só que a gente já trabalha de uma maneira tão automática, que o jogador tem certeza que é melhor ir pra Europa. Mas Europa também é o Galatasaray, que atrasa salário na Turquia, é o Racing Santander, que pode atrasar salário na Espanha e que não vai brigar por título e nem vai colocá-lo em evidência. Nesses casos é melhor para o jogador ficar no Brasil. Isso é um trabalho de convencimento, avaliar as situações. Mas isso só vai mudar quando tiver investimentos, se um dia tiver gente colocando dinheiro no futebol brasileiro. Para fazer uma liga que possa concorrer com as outras para deixar alguns dos bons jogadores aqui.

DB – Você acha que isso um dia pode acontecer?

Pode acontecer. Mas tem que ter esta inversão de eixo. Enquanto existir esse ciclo vicioso que fala: Bom, um empresário sério não vai colocar dinheiro na mão de um clube porque os dirigentes são todos picaretas, e estes administram mal os clubes, por isso que não tem jogador de qualidade no Brasil, nem bons jogos, que são todos uma merda, por isso o torcedor não vai ao estádio, por isso o clube não tem dinheiro, e se não tem dinheiro, precisa de investimentos de empresários, que nunca vão investir aqui, por que vai colocar na mão do dirigente, que é picareta… É esse o ciclo vicioso, isso precisa inverter. Este ciclo precisa mudar de rumo.

DB – Se o calendário brasileiro fosse adequado ao europeu pelo menos não evitaria que estes jogadores saíssem?

Iria apenas atenuar o problema do campeonato, não o problema do êxodo. Só vai permitir que mais clubes comecem e terminem o campeonato com a mesma base.

DB -Os centroavantes correm o risco de morrer assim como morreram os pontas?

Eu não acho. Existem times que jogam com centroavantes, outros sem. O São Paulo do Telê jogava com Muller e o Cafú enfiando na diagonal. É uma conversa velha. Os times jogam de maneiras diferentes de acordo com as características dos jogadores que você tem.

DB – Brasileirão com pontos corridos ou mata-mata?

Eu prefiro uma fórmula que você conheça. A atual é de pontos corridos e está dando certo. A média de público está subindo. Isso não pode ser desprezado. Se aumenta 10%, 7% todo ano, pode-se projetar que em 10 anos chegaremos a uma média de 22 mil pessoas por partida, marca que só foi alcançada no Campeonato Brasileiro de 1983, que teve a maior média da história. Mas a pontos corrido não é solução, ele é apenas um formato. Se as pessoas se acostumam elas vão prestigiar. O que não pode é mudar a cada dois anos. Mas a fórmula de pontos corridos ainda tem que ser aperfeiçoada, mudando o calendário, por exemplo.

DB – Qual seria a sua seleção do Campeonato Brasileiro? 

Rogério Ceni; Wágner Diniz, Thiago Silva, Miranda, Juan; Hernanes; Leandro Guerreiro; Wágner; Leandro Domingues; Dodô; Acosta.


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