Soldos Luxuosos e Outras Leviandades

Por Alessandro Jodar

Números vêm, números vão, mas parece que o salário pedido por Vanderlei Luxemburgo ao Santos era de 700 mil reais. Mano Menezes, após belo trabalho no Grêmio, vem ao Corinthians com a missão de repetir a tacada. Vem e vem bem-vindo, ganhando a bagatela de 300 mil reais. Sinceramente, será que os treinadores valem tanto assim?

Por mais que tenham uma enorme carga de responsabilidade e influência, e por mais que o acúmulo de funções possa elevá-los à famigerada condição de managers – responsáveis não só pelo gerenciamento do time dentro das quatro linhas, mas também pela administração extra-campo – o salário da classe está sim muito inflacionado. Trata-se de um fenômeno bem atual no Brasil e que tem sua origem num passado não muito distante.

O futebol brasileiro não tem por tradição ser berço de exímios treinadores. Ainda que não foram poucos os grandes comandantes tupiniquins, o Brasil definitivamente não é lembrado lá fora por sua qualidade sem a bola nos pés. O mesmo não acontece com os atletas, sempre em alta pelo simples fato de terem nascido entre o Rio Oiapoque e o Arroio Chuí. Assim, muitíssimos jogadores desfilam em campos internacionais, enquanto pouquíssimos treinadores têm a oportunidade de tirar suas licenças internacionais de trabalho.

Dessa forma, com o êxodo dos jogadores de alto nível para fora do país, torcida e imprensa passaram a ficar cada vez mais carentes de ídolos. O que acabou por encher a bola dos treinadores que se encontravam por aqui, fortalecendo-lhes a imagem, a fama e, conseqüentemente, o bolso.

Concomitantemente a esse processo, treinadores de imagem e personalidade marcantes brotaram. Nomes como Luiz Felipe Scolari, Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão passaram a ser sinônimo de grande sucesso, dando origem a um tipo de ídolo que o brasileiro não estava lá muito acostumado a idolatrar. “Títulos de Expressão + Personalidades Expressivas + Êxodo de Craques =$$$$$$ Técnicos $$$$$$”.

Eis a fórmula do sucesso. Isso é, sucesso para alguns. Os clubes, que em sua grande maioria estão sem calças, babam hoje diante dos caros ternos de “Vanderleis”.

Falando em salário, sinto-me obrigado a manifestar minha indignação com a novela da renovação de Felipe, o goleiro do Corinthians. O menino foi um dos melhores goleiros do ano, é ídolo da Fiel e ganha MENOS do que seu reserva – mesmo com o aumento oferecido pela diretoria. Vem então Antonio Carlos, o novo diretor técnico do Timão – que é tão dirigente de futebol quanto Dunga é técnico – dizer que Felipe é “um goleiro de 23 anos que, queira ou não, caiu com o clube”; “Ele vem de três rebaixamentos. Quando falam que o Felipe mereceria estar ganhando salário de equipe de Série A não posso concordar, porque ele está no clube que caiu para a Série B”. Com dirigentes assim, vai continuar por lá.

Pobre Corinthians e pobre Fiel. Se a vaca for pro brejo, o corintiano não vai só perder Felipe, vai perder também a cabeça. E com razão.

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Questão Filosófica

Na manhã desse domingo a Globo vai transmitir o “Desafio Internacional de Futebol de Areia – Seleção do Mundo x Brasil”. Sinto-me compelido a concordar com o jornalista Flávio Prado: futebol de areia é o “horário político do futebol”; não que seja chato, é simplesmente insuportável assistir!
Bom, afora minha indignação, à questão que tanto me intriga: se não existe um Campeonato Nacional de Futebol de Areia, como é escalada a Seleção Brasileira de Futebol de Areia?! Mistério…

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Pitacos

Boca Juniors (Arg) x Milan (Ita)
Final do Campeonato Mundial Interclubes da Fifa. Promete ser um jogão de bola que vale o esforço de acordar cedo no domingo! O Boca quis porque quis inscrever Riquelme na competição. Tentou muito, mas não conseguiu nada. De qualquer forma, vem com um time forte que deposita nos atacantes Palacios e Palermo uma boa dose de confiança. Já o Milan, dá o troco com a dobradinha Kaká – Seedorf. Kaká dispensa apresentações, Seedorf foi “só” cinco vezes campeão da UEFA Champions League, o mais importante torneio europeu. Pelo cheiro, acho que vai tudo acabar em Pizza.
Palpite: Milan


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