Dança das Cadeiras

por Fernando Mendes

Não existe clichê maior do que o título dessa coluna, utilizado para ilustrar o atual cenário de mudanças de comandos nas diversas equipes do futebol brasileiro. É a vida.

Dentre as diversas trocas que ocorreram nas últimas semanas no mercado dos treinadores de futebol – e as que ocorrerão nos próximos dias – cabe discutir algumas.

O rebaixado Timão, ao contratar Mano Menezes, parece ter feito a melhor escolha para substituir o cargo deixado por Nelsinho Baptista. A experiência do gaúcho em ter dirigido o Grêmio na Série B conta muitos pontos a seu favor, além do seu sucesso em montar um time competitivo para o clube nos anos que se seguiram – incluindo um surpreendente vice-campeonato da Taça Libertadores da América.

A lacuna deixada por Mano, no Grêmio, foi completada por Wagner Mancini, um treinador com muita estrada pela frente. Depois de uma passagem positiva pelo pequeno Paulista de Jundiaí, agora, em um grande clube, terá sua prova de fogo.

Nelsinho, por sua vez, voltou à esfera menor de treinadores – a qual nunca deixou de pertencer, é verdade –, passando a comandar o glorioso mas modesto Sport, do Recife.

Os maus negócios, ao meu ver, foram feitos pelas diretorias de Palmeiras e Cruzeiro. O primeiro dispensou Caio Júnior, um competente técnico que, mesmo tendo ainda muito o que provar no futebol, conseguiu fazer o limitadíssimo time alviverde chegar à última rodada do Brasileirão dependendo apenas das próprias forças para conseguir uma classificação à Libertadores.. Já no Palestra de BH, depois de um ano de reestruturação do elenco cruzeirense, uma ótima campanha na Série A que, apesar de turbulenta, classificou o clube à Libertadores do ano que vem, os Perrela decidiram dispensar o promissor Dorival Júnior, agora pretendido pelo Palmeiras. O contratado foi Adilson Batista. Escolha duvidosa.

No Palmeiras, uma boa forma de consertar o erro de dispensar Caio Júnior seria contratar o outro Júnior, o Dorival. Já existem conversas nesse sentido, para alento do torcedor palmeirense.

Joel Santana, que provavelmente – como todos nós – não esperava a ascensão que o Flamengo conseguiu na reta final do Brasileirão, continua pelo clube carioca. A se louvar, apenas o fato da diretoria ter mantido o treinador, que já conhece o elenco e está bem entrosado com toda a euforia que a torcida flamenguista promete para a Libertadores do ano que vem – o próprio Joel disse que o cartola Kleber Leite o prometeu um elenco competitivo para a competição.

O Goiás, que Paulo Baier, em vão, tentou rebaixar com toda sua competência – que, por sinal, é pouca – errando três pênaltis decisivos para o time na primeira divisão, começa o ano que vem com o ex-palmeirense Caio Júnior. Melhor negócio para o Goiás do que para o técnico.

Vanderlei Luxemburgo, esse ano, em palestra na ACEESP (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo), comentou sobre seus esforços em reduzir a folha salarial do elenco santista quando de seu retorno ao clube, no final de 2005. Falou que com a dispensa de medalhões como Giovanni, garantiu a entrada de R$800 mil mensais nos cofres do Peixe. Com o atual salário estimado em R$500 mil mensais, comenta-se que Luxa pede um aumento de R$200 mil/mês para continuar na Baixada, além da exigência de um elenco forte para as competições que o clube disputará no ano que vem. É de se pensar se este que é, para mim, o melhor técnico do Brasil, vale tudo isso que ele pede.

Geninho, responsável por uma das escolhas mais imbecis que já vi no futebol, deixando o Galo Mineiro no ano passado para treinar o turbulento Corinthians, retorna a BH. A torcida não se mostra satisfeita. No entanto, não é uma má escolha para o alvinegro. Geninho não é figurão como Emerson Leão, mas também é um treinador mais inteligente.

E por final, o caso mais esdrúxulo desse cenário, que, em se tratando de um clube dirigido por Eurico Miranda, nada surpreende: O baixinho Romário será o técnico do Vasco no início de 2008. Um sucesso, não impossível, já que nada sabemos sobre a capacidade de Romário para dirigir um time de futebol, é improvável.

No mais, nada muda na Série A.


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