Sentimentos que título nenhum resumiria

È com as mãos tremulas e com as últimas lágrimas escorrendo pelo rosto que escrevo hoje.

No céu o sol brilha forte, o domingo está lindo, mas subitamente ele se tornou cinzento e triste para mim e para milhões de brasileiros.

A agitação nas ruas é evidente. Escuto ao longe pessoas exaltadas gritando algo que jamais esperei ouvir: “O Corinthians vai jogar na segunda divisão!”. Pois é! Agora já não é mais um pesadelo, é uma realidade…

O relógio marcava 18h29min quando Corinthians x Grêmio terminou e foi junto com o apito do arbitro que o grito de tristeza saiu. Hoje, junto com milhões de corintianos eu sofro. O coração está apertado dentro do peito e outros muitos sentimentos congestionam a minha garganta.

Lá fora fogos de artifício fazem barulho junto com as buzinas de carros, mas não são lançados por pessoas que dividem comigo o mesmo sentimento, a mesma dor, a mesma paixão pelo Corinthians, infelizmente. São adversários comemorando a nossa tristeza. Como diz o ditado popular “um dia da caça, outro do caçador”. Hoje fomos caçados, ou pior, rebaixados, mas já não me importo com o que meus amigos são paulinos, santistas, flamenguistas, cruzeirenses e torcedores de outros times me falarão amanhã.

As frases estão começando a ficar sem nexo e, cada vez mais, editadas e cortadas dessa coluna. Continuo aqui dentro vendo por detrás da janela um céu claro e limpo se tornar cinzento, branco e preto. Alvinegro como o Corinthians, como o meu coração, como essa página branca manchada de palavras negras. O negro que também toma conta do meu espírito e me deixa de LUTO.

Nunca fui ao estádio, mas hoje me senti lá, sentada no meio da arquibancada. Meu coração batia no ritmo daquela torcida e cantava junto com ela a canção que cantarei até o fim dos meus dias:

“AQUI TEM UM BANDO DE LOUCO

LOUCO POR TI CORINTHIANS

AQUELES QUE ACHAM QUE É POUCO

VIVO POR TI CORINTHIANS!”

Hoje eu realmente entendi o significado de ser corintiana e, por mais estranho que pareça, estou orgulhosa por isso.

 

PS.:Eu espero que você, leitor, lendo essa nota tenha sentido pelo menos um pouco da angústia e da perplexidade que toma conta de mim hoje.

Fernanda Amalfi


About this entry