O Circo da Bola e do Produto.

Hoje volto a falar das personalidades brasileiras citadas na coluna anterior, os jornalistas esportivos. Neste texto vou abordar um dos programas mais folclóricos do meio, o Debate Bola. O programa já teve alguns horários diferentes, mas vai ao ar no “horário do almoço”, e é transmitido pela Rede Record. Estreou no ano de 2001, com a contratação de Milton Neves. Desde então o programa gera polêmicas, misturando humor, informação (ou desinformação, vide alguns casos que citarei abaixo) e publicidade.

Começo com uma figura lendária: Doutor Osmar. Já trabalhou como médico no São Bento de Sorocaba e no Corinthians, e como comentarista em todas as emissoras de TV aberta com sede em São Paulo (único que tem este feito). Apesar de ser o mais velho e o que tem mais experiência na área, Dr. Osmar era o menos respeitado dentro do programa. Nunca o deixavam falar, quando ele falava, logo o cortavam, e era alvo de constantes brincadeiras. Mas o que realmente o afetava eram comentários negativos em relação ao Corinthians. Corintiano fanático, o comentarista não conseguia deixar este fato de lado. Brigava, ficava emburrado e discutia com qualquer um que falasse mal do alvinegro, mesmo se o time estivesse em péssima fase. Desviava todo e qualquer assunto, para o seu “Timão”. Criou um caso de paixão com Caritos Tevez, e o relacionamento tinha até trilha sonora no Debate Bola. Também já era rotina toda vez que ele tinha a palavra, começar seu pronunciamento assim: “ Ô Dualib, aumenta o som da TV aí!”. Saiu da Rede Record em 2007, e hoje trabalha na Rede Bandeirantes.

Outro expoente do programa é Eduardo Savóia. O jornalista já trabalhou em inúmeras empresas, tanto de rádio, TV e mídia impressa. No Debate Bola sua grande função seria dar os ”furos”. Porém se consagrou pelo motivo oposto, ou seja, passar informações totalmente erradas ao público. A mais notória é a de que Vágner Love iria reforçar o elenco do Corinthians. No começo a informação parecia estar correta, e o atacante até deu uma entrevista confirmando a notícia. Porém, o tempo passou e o “atacante do amor”, não foi para o Parque São Jorge, Mas Savóia insistiu na história durante dois anos. Já deu outros tiros-n’água como: o Corinthians iria construir dois estádios, o argentino Crespo iria para o alvinegro, Abel Braga no clube paulista e por ai vai. Já quase não tenho mais sinônimos para “Corinthians” porque o jornalista só fala sobre o clube, e tem-se a impressão de que o comentarista mora no Parque São Jorge ou no CT de Itaquera.

Para finalizar, uma análise de Paulo Roberto “Morsa” Martins. O comentarista, santista, tem como principal prazer provocar Dr. Osmar. O interrompe a todo momento, discorda de tudo que o doutor fala, o provoca e critica o Corinthians apenas para atingir o médico. Com seus comentários ácidos e radicais, o ódio contra ele é quase unanimidade entre as torcidas brasileiras. Isso se prova com o fato de que Morsa foi contemplado com uma bela faixa no estádio do Oeste de Itápolis: “Morsa Bicha Velha”. Também é notório sua desaprovamento a Romário. Morsa dizia em 2005 que o baixinho era um jogador aposentado em atividade. Pois então, no mesmo ano Romário foi artilheiro do Campeonato Brasileiro, jogando quase que só metade das partidas. Por esse e outros fatos, criou-se o bordão “Calando Morsa”.

Bom, falando agora do programa como um todo, pode se dizer que quase não há seriedade. Agora observe no texto o único nome de time que foi mencionado. Sim é o Corinthians, e até o Milton Neves brinca que é o Debate Corinthians. A extensa publicidade dentro do programa cansa muito, além da questão ética. Após algum time perde um jogo importante, sempre ocorre seu funeral no programa. Tem também o apito amigo, os teatrinhos (os comentaristas atendem o celular no meio do programa), os áudios que são produzidos (ão ão ão, segunda divisão, calando morsa e outros) e muito mais coisa. Afinal são sete anos de programa e fica impossível reproduzir aqui, todas as palhaçadas de lá. Recomendo que assistam ao grande número de vídeos sobre o Debate Bola no site youtube.

Não tenho nada contra o programa, e já ri bastante assistindo. Mas teria que ficar claro que aquilo é um show, e não jornalismo.

(Esqueci de falar de Milton Neves? Não, dele todo mundo já falou e fala, seria repetitivo)

por Fernando Martines

 


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