Pô, Seu Juiz!

Por Alessandro Jodar

Muitos defendem que um belo time deve ter antes de tudo uma boa defesa, outros defendem que sem um meio de campo decente não há time que vingue e a grande maioria acredita que, se o ataque não for goleador, de nada adiantam os outros dois. Mas, na verdade, time nenhum vai pra frente se não tiver um bom departamento jurídico – leia-se “bastidores”. Essa é uma regra mundial que, em terras tupiniquins, é lei divina.

O colunista Fernando Mendes já publicou neste Domínio uma excelente coluna tratando sobre as patacoadas do STJD (Não há pesos nem medidas, 1º de setembro). Para se blindar dessa inconstância, ou para tirar proveito dela, todo clube deve prezar pela manutenção de uma boa retaguarda jurídica e política. Claro que quem manda nessa bodega são os grandes clubes.

Se fosse realizado um campeonato cujo campeão seria o time mais poderoso fora de campo, os clubes mais tradicionais, em especial os cariocas, seriam todos páreos duros. Basta ter como exemplo o recente caso do atacante botafoguense Dodô, o primeiro doping na história do esporte em que o culpado de ingerir a substância foi… o laboratório de manipulação. Não só o atacante voltou a jogar após algumas partidas de suspensão, como o clube também não sofreu qualquer tipo de represália. Sobrou para o laboratório, acusado de não informar a presença do femproporex, e para os times que enfrentaram o Dodô dopado, é claro.

Agora, adivinhe só o que aconteceu com Alex Alves cerca de quatro meses antes. O jogador foi acusado de doping por ingerir sibutramina e apresentou em sua defesa o mesmíssimo argumento de Dodô: disse que desconhecia a presença da substância, não anotada no rótulo do produto. Como ele não é do Botafogo, foi suspenso por 120 dias. Pobrezinho do Juventude que, se fosse grande e tradicional como o Fogão, não perderia Alex por tanto tempo. Talvez a história tivesse sido diferente caso a força política e/ou o departamento jurídico do clube fossem melhores (ou piores, dependendo do ponto de vista).

Mais um exemplo dessa chaga do futebol é o Corinthians. Acalmem-se corintianos, estou falando da situação atual do clube e não da instituição em si. Com o Timão ali a um passo da zona de rebaixamento e, conseqüentemente da segundona, já começam a surgir as mais variadas especulações como “o clube dos 13 não vai deixar” e “vai ter virada de mesa”. Estranho que ninguém se faz essas perguntas quando o rebaixado em questão é o América de Natal. Por que será??

Ultimamente esse tipo de rumor diminuiu bastante, ainda mais depois da popularização da fórmula dos pontos corridos. Mas antes disso o torcedor tinha muita razão em se preocupar. O Fluminense, por exemplo, chegou a ser rebaixado para a terceira divisão (!) do Campeonato Brasileiro em 1998 – época em que a fórmula de disputa mudava praticamente a cada ano – e voltou à primeira em 1999. Da terceira para a primeira em apenas um ano? Pois é, o Flu sim é bom exemplo para as demais equipes do Brasil. Pelé, Maradona, Platini, Puskas… faça um time com quem você quiser. Em campo eles não fariam melhor do que fizeram os políticos e advogados do tricolor carioca. Duas divisões em um ano? Quer prova maior de que o Fluminense é time grande? Isso é que é time!

E o Palmeiras então? Que caiu para série B em 2002 e jogou o campeonato inteiro recebendo do Clube dos 13 o mesmo valor monetário que recebia na série A. Viva Mustafá Contursi! Isso é que é dirigente! Conseguiu levar na B o mesmo que levaria na A. Que orgulho, não é torcedor alviverde? Esse é o tipo de dirigente que todo clube gostaria de ter. Quanta competência!

Até que Mustafá tinha talento, mas ele é brotinho quando comparado a um dos mais invejados e competentes dirigentes que o Brasil já viu. Rufem os tambores, Vossa Alteza O Todo Poderoso Eurico Miranda. Heil! Langes leben zum Führer!* Sua última prova de habilidade foi a recente eleição para a presidência do Vasco e, contra todos os prognósticos (até mesmo o das urnas, há quem diga), conseguiu se reeleger. E olha que seu oponente não era qualquer um, era Roberto Dinamite, um dos maiores ídolos da história vascaína, que entrou com uma ação na Justiça por conta do resultado das eleições. Essa encrenca foi apenas a mais recente das muitas em que Eurico já se meteu, talvez também seja mais uma em que o dirigente vai se dar bem. Com esse aí, mexa se tiver coragem.

Depois de tudo isso, me recordo daquela velha máxima do futebol “um bom time começa por um bom goleiro”. Talvez contratar um bom advogado antes também não seja má idéia.

*Saúde! Vida longa ao Líder!

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Bola fora:

“O Corinthians está melhor do que o Goiás, e até do que o próprio Corinthians.” – Comentário de Paulo Roberto Falcão, que parecia estar realmente empolgado com a atuação dos corintianos na partida contra o Goiás.

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Pitacos:

Peru x Brasil
É redundância dizer que o Brasil entra em campo como grande favorito, mesmo que o jogo seja em Lima. Na teoria, os peruanos precisam da vitória para se recuperar da derrota que sofreram para o Chile na última partida: dois a zero em Santiago. No entanto, como o Brasil é muito superior à equipe peruana e chega amedrontando após golear o Equador, provavelmente o Peru deve jogar mais recuado. Se o Brasil jogar com seriedade, leva fácil. Se der moleza o Peru pode achar um gol e complicar as coisas para a Amarelinha. Pedalada, Robinho! Se bem que esse já saiu de moda… “vai pra lá que eu vou pra cá”, Robinho! Agora sim! VAI, BRASIL!
Palpite: Brasil

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Rabo preso e “absovido”:

Transcrição da enquete do site da ABECD (Associação Brasileira de Estudo e Combate ao Doping – http://www.antidoping.com.br/):

“O que você acha da absovição[sic] do Dodô?
o Ótimo
o Bom
o Regular”

Se você achou ruim, péssimo ou vergonhoso, guarde para você. Não há essas opções na enquete. Bom, pelo menos são originais, o combate ao doping com psicologia reversa é de fato inovador…


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