O polêmico, o relapso e o indeciso.

Por Fernando Martines

A partir de hoje e durante algum tempo, este humilde espaço será destinado a dissertação sobre personalidades brasileiras. Tais personalidades tem grande espaço na TV, na internet e em todos os meios de comunicação. Adquirem renome, são reconhecidos nas ruas, tem status de estrela. Suas explanações são ouvidas por muitos, e no seu meio profissional tem um dos melhores retornos financeiros. Talvez, tudo isso ocorra por seu trabalho envolver fundamentalmente a maior paixão dos brasileiros: o futebol.

Estou me referindo aos “jornalistas esportivos”. Coloco entre aspas, pois são jornalistas como qualquer outro, mas em algum momento ganharam essa alcunha. São comentaristas, narradores (que não se contém, e também comentam), analistas de jogos (dão sua visão da partida e notas aos jogadores), pesquisadores da história do desporto e especialistas em arbitragens.

Quando se fala neste assunto, um nome logo salta a nossa cara: Galvão Bueno. Polêmico, alguns gostam e muitos odeiam (contagem orkútica, ou orkutiniana (já inventaram algum termo para isso?): Eu Odeio o Galvão Bueno, 119.122 membros. Sou Fã do Galvão Bueno, 2.113 membros). Tal discrepância numérica talvez não seja honesta. É divertido odiar o Galvão. É muito engraçado espezinhar de seus comentários, imitar seus bordões e cobrar cruelmente cada erro ou comentário infeliz que ele realiza. Mas não creio que o ódio seja tão grande. As pessoas gostam dele, gostam da figura folclórica. Sem ele, as transmissões perderiam muito a graça. Claro que o fato de ele saber o que o jogador esta pensando, se mostrar intimo de todos os atletas, fazer comentários abalizados sobre todas as coisas existentes no universo, ser repetitivo e exaltado, irrita muitas pessoas.

A próxima figura que me vem a cabeça é Sérgio Noronha. Os mais de 40 anos de jornalismo do comentarista, não parecem fazer com que ele consiga fazer comentários mais profundos, do que simplesmente relatar o que aconteceu (talvez se esqueça que trabalha na TV, e o que aconteceu nós vimos, e ele não precisa nos contar). Rei da obviedade, Noronha também se destaca por não conseguir falar de outra coisa, a não ser dos clubes cariocas. Se o time carioca estiver perdendo de pouco, ele falará que o jogo está igual, que o resultado é injusto e que pode virar. Se a diferença for de muitos gols, Noronha apontará os erros do time da terra da Cidade Maravilhosa. Se o jogo for entre times de outros estados, que não o Rio de Janeiro, ele irá comparar algum dos times com um clube carioca.

Noronha, também se destaca por seus relapsos, como dormir no meio de um transmissão, admitir que não sabe nada sobre um jogador que está disputando o mais importante campeonato, a Copa do Mundo, e que apenas ouviu dizer sobre Ibrahimovic, principal jogador da seleção sueca e que atuou em clubes como Ajax, Juventus e Internazionale

Confesso que de repente se abateu sobre mim uma indecisão. Não sei sobre quem escrever. Mas será que eu devo escrever? Eis que uma luz incide sobre mim e eu consigo fazer uma associação. Indecisão……claro!!!Cléber Machado!

O segundo narrador na hierarquia da Globo, me agrada em suas transmissões. Alguns irão dizer que ele erra nomes e conversa demais com o comentaristas. Isso me parece ser pegação no pé. É um ótimo narrador, faz muito bem seu trabalho, sempre com muita segurança. Porém quando vai comandar o programa “Arena” no canal Sportv (no site do canal encontrei a grafia Soprtv, SporTV e SPORTV) uma insegurança, um medo, uma perda de fé, se abatem sobre o narrador. Tudo ele relativiza (pode ser ou pode não ser, é mas não é, foi mas não é bem assim). Não consegue dar uma opinião firme sobre nada, não concorda nem discorda de nem um argumento apresentado, lança teses para logo após, ele mesmo as contrariar (!?). Em um momento clássico, Cléber Machado vai digredindo sobre a profissão de jornalista esportivo, pelo fato do futebol ser sempre imprevisível e que tudo que eles falavam em um dia, no outro poderia ir água abaixo, até chegar a questão existencial máxima: “As vezes eu me pergunto: o que é que nós (jornalistas esportivos) estamos fazendo aqui?”.

Bom acho que por esta coluna já está bom. Não que eu tenha falado tudo. Tais personagens merecem grandes matérias, com uma profunda análise, e com belas pérolas por eles proferidas. Mas é uma coluna, o assunto é extenso e não caberia tudo na mesma. Tratei sobre três jornalistas da Globo. Mas foi por coincidência. Daqui 15 dias, pretendo falar sobre o programa “Debate Bola” e algumas figuras clássicas que lá trabalham ou trabalharam.


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