O segundo maior futebolista que vi jogar

por Fernando Mendes

Quando me perguntam qual é, ou qual foi o melhor jogador de futebol que eu pude ver jogar, com a larga experiência de meus vinte anos de idade, sempre digo, sem titubear: foi o Zizou, seguido de perto por um outro cara… desse eu falo depois. Enfim, Zinedine foi um maestro. Não vi tamanha classe e categoria em outro jogador, desde que acompanho futebol, ou seja, desde o começo dos anos 90.

Para mim, ele foi o maior. Alguns chegaram perto. Romário merece um capítulo só para ele no livro histórico do futebol – o Baixinho chegou aos mil gols, marca que eu considero justa, carregou a Seleção Brasileira de 94 nas costas e, convenhamos, não perdoava, quando tinha a oportunidade.

Ronaldo, o Fenômeno, deve ser o maior atacante que o mundo viu jogar nos últimos dez anos. Desde o Cruzeiro, passando pelo PSV da Holanda, o Barça, Inter de Milão, ganhando a Copa do Mundo de 2002 com o Brasil, não se discute que o rapaz é um mito. Sua passagem pelo Real Madrid não será lembrada pelas grandes partidas que ele fez, mas é bom dizer, elas aconteceram. No Milan, com a devida oportunidade, aposto que ele ainda voltará a ser um dos grandes do mundo.

Roberto Baggio merece menção pelo grande futebol que jogou e o argentino Riquelme lembra a classe do mestre Zidane em seus passes e domínio de bola, além dos dribles desconcertantes que ele aplica em seus adversários.

Ronaldinho Gaúcho, duas vezes eleito pela FIFA o melhor do mundo, já é considerado um dos grandes da história e, muitas vezes comparado ao Rei Pelé, com certeza está entre os maiores desse início de século XXI. Não acho, no entanto, que ele tem a elegância que tem o francês, creio que Zinedine é mais jogador. Minha opinião, apenas.

Posso estar deixando de lado craques como Dennis Bergkamp, o artilheiro holandês que tem medo de voar, ou então o grande ídolo do futebol tcheco nos últimos anos, Pavel Nedved. Grandes jogadores sem dúvida, não chegam, entretanto, perto dos citados anteriormente.

Não estaria desagradando ninguém se apenas mencionasse o artilheiro argentino Gabriel Omar Batistuta como um craque dos anos 90, mas nenhum gênio do futebol. Chega perto de Romário, Zidane ou Ronaldo? Certamente que não.

Penso que essa lista já está extensa demais, e que estaria aqui apenas enumerando grandes jogadores de futebol dos últimos tempos, sem lembrar de algum, a meu ver, que se aproxime do Mestre Zizou que, repito, para mim foi o maior.

Acho que o leitor se daria por razoavelmente satisfeito se eu terminasse por aqui esse texto, e ele pensaria em alguns nomes de sua preferência também. No final das contas, não creio que algum iria lembrar de nome que possa ter superado Zidane. Mas como essa é apenas a minha visão das coisas, admito que possam enxergar no Baixinho Romário, ou no Ronaldo Fenômeno o melhor jogador desses tempos. Eu não concordaria, é verdade, mas entendo que são pontos de vista diferentes.

Acho que se dariam por satisfeitos sem lembrar, talvez, do jogador, que, com certeza, foi um dos maiores que passaram por forças do futebol como o Palmeiras ou o Barcelona, sem contar seus esforços inigualáveis pela seleção canarinha: falo do segundo melhor jogador que eu vi jogar, o genial Rivaldo.

Rivaldo é daqueles que podemos chamar de boleiros. O cara tinha – e ainda tem – bola no pé, um domínio assustador da redonda, chutava a gol como poucos, adorava fazer gols do meio campo, era o rei de dribles com o corpo, tinha uma tendência sobrenatural às bicicletas, matava no peito como se segurasse a bola com as mãos.

Vítima do preconceito de Louis Van Gaal, que defendia que Rivaldo caíra de rendimento depois de 1999, o camisa 10 foi um desses jogadores que servem de prova para o argumento de que no futebol também há injustiças, principalmente com aqueles que não estão o tempo todo cuidando de sua imagem – dizem que com Ademir da Guia também foi assim.

Para muitos, ele não passou de um bom jogador. Esses mesmos muitos que provavelmente se esquecem da grande Copa da França que Rivaldo fez, ou que sem ele, em 2002, Ronaldo não teria sido a estrela do Mundial e, quem sabe, o Brasil não tivesse se chegado ao penta.

Não tenho o costume de associar qualidade de um jogador às suas conquistas, é uma análise limitada – Rivellino, considerado por ninguém menos do que Diego Maradona como o seu maior ídolo, jamais ganhou títulos pelo Corinthians e duvido que um corintiano o considere algo menos do que uma lenda do futebol – mas eis aqui algumas conquistas de Rivaldo: foi campeão brasileiro pelo Palmeiras em 1994, no que deve ter sido o melhor time alviverde dos últimos 20 anos, além de ter sido bicampeão espanhol pelo Barcelona, em 98 e 99, ano em que ele foi eleito o melhor do mundo pela FIFA.

Além desses resultados já expressivos, a lista conta com seus feitos pela seleção. Além da já citada campanha do penta, sob o comando de Luiz Felipe Scolari, foi campeão da Copa América em 99, sob a batuta de outro mestre, Vanderlei Luxemburgo.

Então, quando me perguntam sobre o melhor que vi jogar, digo: Zidane foi o melhor, seguido de perto pelo Rivaldo, um outro gênio da bola, incompreendido, esquecido, injustiçado.

Para encerrar essa coluna com um expediente muito comum aos blogs pela internet afora, pergunto: para você, leitor, quem foi o segundo maior que você viu jogar?


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