Sul Americana, a preterida do brasileiro

por Murilo Aquino

Vasco e São Paulo jogam nesta quarta-feira, contra América (México) e Millonarios (Colômbia) respectivamente, pela Copa Sul-Americana. Ambos vêm de derrota na primeira partida das quartas-de-final e prometem força total conta os adversários nos 90 minutos restantes. Mas esta prioridade que os times estão dando à competição é uma exceção à regra dentre os clubes brasileiros. Mesmo com um formato de disputa atraente e um valor alto de premiação, a copinha não pegou por aqui.

Frequentemente, os clubes grandes apresentam time misto. Muitas vezes por estarem lutando por título nacional ou vaga na Libertadores da América, outras vezes apenas por estar com o elenco exausto devido à grande seqüência de jogos. No primeiro caso, é altamente compreensível, pois a copinha patrocinada pela Nissan não premia o vencedor com uma vaga à da rival Toyota. O segundo caso acontece somente graças à falta de prestígio desta competição, pois durante todo o ano há jogos domingo e quarta – Estadual, Libertadores e Nacional se intercalam durante o primeiro semestre – mas quando a “Sudamericana” entra em jogo, os clubes preferem desprezá-la.

Muitos clubes reclamam da fórmula de disputa dos pontos corridos, mas quando têm a chance de encher seus estádios e cofres com os tão esperados mata-matas, desperdiçam a chance. Estes clubes não gostam do estilo “league” porque não estão acostumados com organização e planejamento, e dão idéias esdrúxulas de novas fórmulas para a competição nacional – a última foi de um clube rubro-negro carioca que defendia o sistema de “playoffs” das ligas americanas para o Brasileirão.

Ainda vai levar muito tempo para a Sul-Americana conseguir a consideração que espera do torcedor brasileiro. A extinta Mercosul tinha maior apreço graças ao titulo conquistado pelo Palmeiras em cima do Cruzeiro logo em sua primeira edição em 1998, isso impulsionou a visibilidade do torneio nas terras tupiniquins. E ao contrário da irmã caçula, que nunca viu sequer um brasileiro como vice-campeão, sempre teve clubes brasileiros nas finais: 1999 – Flamengo x Palmeiras; 2000 – Vasco x Palmeiras; 2001 – San Lorenzo x Flamengo.

Mesmo se São Paulo e Vasco chegarem à final, ainda será necessário uma mudança na forma de pensar e de ver a Copa Sul-Americana para haver maior interesse do público brasileiro. Tudo começa no campeonato brasileiro do ano anterior. Deve haver, por parte daqueles times que desde o começo do campeonato sabem que vão ficar na metade inferior da tabela, uma vontade de estar na competição internacional, e não apenas aquele sentimento de “não vamos cair que já está bom”. O campeão, não deveria ser “gratificado” com a presença neste campeonato de menor importância, assim não exporia seus atletas à uma competição tida como desnecessária e abriria espaço para mais um da rabeira.

Mas a medida principal a ser tomada, não cabe à cartolagem brasileira, e sim aos dirigentes da Conmebol. Assim como na Europa, onde a Copa da UEFA premia o vencedor com uma vaga na Champions League, a Copa Sul-Americana deveria qualificar o vencedor à Libertadores da América, pois (irônica e inacreditavelmente) apenas a premiação em dinheiro não é suficiente para agradar aos mandachuvas do futebol nacional.

Devaneios:

-Se houvesse alguma chance de o São Paulo não ser campeão Brasileiro, Muricy não exporia a elite de sua tropa à altitude de Bogotá. No primeiro jogo, o time claramente desmereceu a competição. Dentro do Morumbi, teve atitude 0.

-Domingo o Tricolor, provavelmente com time misto, vai jogar contra dois adversários: o fraco Sport e o forte Sol das 15h de Recife. Na média, um oponente medíocre.

-O Vasco só vai entrar completo amanhã porque joga em São Januário, e como não ganha nada há tempos, tem que mostrar serviço diante de sua torcida.

-Será o jogo de estréia do novo treinador vascaíno: ninguém menos que Romário. A pessoa com maior moral para cobrar dos jogadores disciplina e assiduidade nos treinos. Como diria Flávio Prado: Agora vai!

Comunidade do Flamengo no Orkut.

-Se o Corinthians não abrir o olho (frase dita desde o primeiro turno) a minha previsão da ultima coluna será derrubada.

-Ainda não sei se devo torcer contra ou a favor do Timão na série B, estou seriamente dividido, mas comemorei como se fosse um gol do Guará o gol do Náutico.

-E digo mais: Santos e Palmeiras vão à Libertadores, Grêmio também. Pobre Cruzeiro.


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