Salve(m) o Corinthians

Por Alessandro  Jodar 

Não há como negar que, em termos de organização e estrutura, o campeonato brasileiro encontra-se hoje em um patamar de qualidade superior ao de qualquer momento de sua história. Afinal, hoje ninguém mais fala em “virada de mesa” e a tabela do campeonato inteiro sai logo no começo do ano. Apenas essas duas condições já são suficientes para fazer do Brasileirão 2007 um exemplo de organização quando comparado a seus antepassados.

Grande parte desse avanço deve-se à adoção e manutenção do esquema de pontos corridos que, muito contestado a princípio, vem ganhando a simpatia do torcedor brasileiro. Entretanto, mais do que chamar a atenção do torcedor, os pontos corridos chamam atenção para outro fato: nessa nova fase do campeonato nacional, aos poucos se vai descobrindo quais são os “verdadeiros” times grandes.

“Verdadeiros” no sentido de serem exaltados independentemente de sua história. Claro que o passado de um time diz muito a respeito do que ele representa num âmbito geral, porém, cada vez mais, vemos que muitos grandes se apequenaram. Exemplos não faltam: Grêmio, Atlético Mineiro, Botafogo e Palmeiras chegaram a ser rebaixados. Vasco (à exceção desse ano) e Flamengo entram sempre no campeonato com o intuito de fugir do rebaixamento. E, finalmente, o Corinthians. Ah, o Corinthians… Nesse ano parece ter chegado ao fundo do poço.

Vou admitir: sou palmeirense. Portanto, imagino que nem seja preciso dizer que já comemorei muitos gols em jogos do Corinthians. Para todo bom palmeirense, não importa quem joga contra o Timão, o adversário sempre veste verde. Torcedores de Grêmio, Internacional, Atlético e Cruzeiro – só para citar alguns – sabem muito bem do que se trata esse sentimento do qual todos compartilhamos. Ou melhor, compartilhávamos.

Tive uma epifania. Não sei se por ter muitos familiares corintianos ou se por uma revelação divina (talvez de São Jorge?), já não sinto mais aquele prazer ao ver o Corinthians mal. Ao invés de satisfação, me assola um sentimento que não é exatamente pena, mas que se assemelha de certo modo.

Tenho a impressão que tudo começou no último clássico. Toda uma euforia alviverde digna da comemoração de um título. Algo absolutamente normal, já que as duas torcidas e as duas equipes acabaram por se acostumar a esse clima. Corinthians e Palmeiras sempre foi jogo de decisão, mas, ultimamente, não mais.

Palmeiras e Corinthians é jogo de Ademir e Rivelino, de César Maluco e Casagrande, Evair e Neto, Luizão e Paulo Nunes, jamais de Rodrigão e Clodoaldo. É compreensível que os times passem por momentos de estiagem e de prosperidade. Na terra seca do Palmeiras já caem alguns pingos d’água, mas no deserto corintiano a luz do Sol ainda é incandescente e lembra muito uma lanterna.

Ninguém duvida que o atual momento do alvinegro seja só uma fase, e que mais cedo ou mais tarde o time da maior torcida de São Paulo irá se reerguer. No fundo, no fundo, todo são-paulino, santista e palmeirense torce para isso. Alguns bem lá no âmago, em um cantinho muito escondido, e outros um pouco mais imprudentes como este que vos fala.

 No fim das contas, acho que rivalidade é assim mesmo, uma relação de amor e ódio. Se um dia o Corinthians acabar, posso até ver o Palmeiras desintegrando junto. Claro que alterar a ordem dos fatores não altera o produto, afinal, “clássico é clássico e vice-versa”. Por isso, salvem o Corinthians, o campeão dos campeões!

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Pitacos…

Palmeiras x Grêmio
Jogo equilibrado e na base da raça, digno de dois concorrentes diretos à Libertadores. Um Palmeiras irregular no Palestra lotado, contra o bem montado time de Mano Menezes. Ambos vêm com cacife para vencer. Difícil dar palpite, mas uma certeza tenho: fácil não vai ser para ninguém!
Palpite: Palmeiras

Botafogo x Santos
Um Botafogo cada vez mais apagado contra um Santos cada vez mais perto da América. Mesmo jogando em casa, a má fase do Fogão joga a favor do Peixe.
Palpite: Santos

São Paulo x Corinthians
O tricolor é favoritíssimo, mas é bom não entrar de salto alto. O Corinthians já provou contra o Santos que pode se superar, entretanto, contra o Palmeiras,
também mostrou que não é milagreiro.
Palpite: Empate


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