Apoiar e dar show

Uma das coisas que mais me cativa no futebol é a presença das torcidas nos estádios. Apesar do “tumulto” causado de vez em quando, elas são um espetáculo a parte nos jogos, principalmente quando se trata de clássicos.

Quarta-feira passada, dia 26 de setembro, fui ao Morumbi assistir a São Paulo x Boca Juniors pela Copa Sul-Americana. O melhor do jogo, pelo menos para mim, foi a presença dos quase 47 mil torcedores que colaboraram, de certa forma, para que o tricolor saísse de lá classificado para a próxima fase da competição. Mesmo o Boca tendo perdido, a torcida argentina continuou o apoiando. E eu acredito que seja esse o papel do torcedor: dar suporte à equipe, independente do resultado obtido por esta. Porém, não é isso que tem sido mostrado pelas torcidas do Corinthians e do Botafogo, principalmente.

Depois da derrota vergonhosa contra o River Plate pela Sul-Americana, a equipe botafoguense foi recebida com pipocas e calcinhas pelos torcedores, indignados por causa do resultado. Não bastasse isso, a torcida entrou em confronto com a segurança do clube, em General Severiano, para protestar contra os maus resultados que o time vem obtendo no Brasileiro e a má administração da diretoria do clube.

A torcida do Timão, este que está em péssima fase, correndo grandes riscos de ser rebaixado para a Série B, seguiu o mesmo caminho: foi ao Parque São Jorge para pressionar a diretoria e os jogadores. A crise do Corinthians, no entanto, não vem de agora e esse é um dos fatores que acabam fazendo com que a torcida perca a paciência e se exalte – com talvez alguma razão.

Tá, tudo bem. Isso aí até quem não entende de futebol sabe! Por isso eu quero ir além. Não muito, porque o espaço e tempo são curtos, mas gostaria de expor meu ponto de vista sobre o assunto. Não acredito que seja ofendendo e quebrando cadeiras que os problemas recorrentes nos clubes vão ser resolvidos. Muito pelo contrário. Até atrapalha, principalmente quando se trata da pressão, ultimamente bem excessiva, feita pela “verdadeira” torcida, aquela que vai à todos os jogos, “participa” do clube e tem um sentimento real pelo time por que torce. Lógico que bons resultados tanto dentro quanto fora do campo têm que ser cobrados, mas as medidas tomadas pelas equipes, pelo menos se falando da parte administrativa, têm efeito a médio ou longo prazo. É preciso entender  e esperar por isso. Ninguém consegue fazer magia e trazer o Corinthians da atual décima oitava posição no Brasileiro para a região de classificação pra Libertadores, por exemplo. É impossível, com – ou sem – mágica. E os torcedores têm que aceitar isso, não necessariamente calados, porque, afinal ninguém consegue deixar de relamar, mas sim tendo um pouco de bom senso e agindo de forma mais construtiva a favor do time.

Não estou criticando as torcidas, até porque, como já disse antes, acho que elas são uma parte importante do futebol. Estou apenas sugerindo uma atitude mais respeitosa. Pressionar o time pode ser até bom, mas essa pressão tem que ter limite. Espero que as torcidas se espelhem no espetáculo de ontem a noite no Maracanã durante o jogo Flamengo x São Paulo: uma torcida unida, embalada pelo mesmo hino, fazendo com que os próprios são-paulinos, atordoados com o resultado da partida, se encantassem com o show dos torcedores flamenguistas.

Por Carla Destro


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