Tal pai…

Bebeto, Leonardo, Romário, Junior Baiano, Roberto Dinamite, Djalminha, Paulo Nunes e Mozer. Todos esses jogadores marcaram a história do futebol e agora querem deixar mais um novo legado nas quatro linhas: seus filhos. Como se habilidade futebolística fosse genética, clubes do Rio de Janeiro apostam nos filhos dos velhos craques.

Daniel, filho de quinze anos de Mozer atua no Flamengo, maior time com filhos de ex-jogadores, como volante e zagueiro. Já Paulo Nunes vê seu filho, Luan, seguir seus passos no ataque aos quinze anos de idade. O mesmo acontece com Lucas, filho do ex-meia Leonardo, e Patrick, filho de Junior Baiano. Ambos no Flamengo atuando no time mirim. Alguns ainda não jogam nas mesmas posições que os pais, como é o caso de Diego Dias, filho de Djalminha, que é atacante e Mattheus, filho de Bebeto que joga como meia.

E antes mesmo de começar sua carreira de jogador Mattheus já era famoso. O motivo da famosa comemoração de Bebeto durante a Copa de 94 já representou o Brasil no Torneio sub-13 realizado na Espanha. Ao seu lado na seleção contou com a presença do colega de Flamengo, Pedro, atacante e primo de Adriano.

Dentre todos os casos os mais comentados são os dos filhos de Roberto Dinamite e Romário. No caso de Rodrigo, filho de quinze anos de Dinamite, chama atenção o fato de o menino treinar no Fluminense e não no Vasco, time no qual o pai é o maior artilheiro. O jogador acusa Eurico Miranda de não querer seu filho iniciando sua carreira no time. Já o diretor das categorias de base do Vasco afirma que as portas estão abertas para o ingresso do filho do craque no time vascaíno. Romarinho, de 14 anos já é tratado como rei. Atuando pelo Vasco, além de receber conselhos preciosos de Romário, o menino já dá autógrafo e é xingado pelos adversários que não gostam do pai.

Todos esses filhos ilustres agora têm uma obrigação: pelo menos chegar a ser o que os pais foram. Ou superá-los. Por isso, no Flamengo, todos possuem um acompanhamento psicológico rigoroso para amenizar os danos das possíveis comparações. Muitas vezes a pressão já parte de dentro de casa, onde os ex-jogadores pressionam os filhos a adotarem certa postura dentro de campo.

A influência dos pais no ingresso dos filhos nos grandes times é outro fato a ser contestado. Diferente de qualquer outro adolescente que sonha ser jogador de futebol, a facilidade encontrada pelos pupilos dos famosos para entrar nos grandes times é incomparável. Como é possível garantir que os filhos jogarão bem? E os times simplesmente apostam nos adolescentes por mostrarem um bom futebol para a idade ou a figura do pai ex-jogador é o único critério adotado pelos clubes?

O exemplo clássico de filhos de jogadores que não deram certo é Edinho. Várias vezes nas primeiras páginas dos jornais, mas não por seu futebol, o filho de Pelé envolveu-se com tráfico de drogas e foi parar na cadeia. Além disso, nunca demonstrou habilidade como goleiro, prova concreta de que isso não é uma coisa que passe de pai para filho.

Assim, os resultados poderão ser vistos daqui algum tempo quando já no time profissional – ou não- os meninos terão a oportunidade de mostrar seu futebol. Aí sim saberemos o tamanho da influência dos pais no jogo e na cabeça dos jovens jogadores.

Por Mariana Carrera.


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