Já Era?

No começo de 1996, devido a problemas de saúde, Telê Santana deixava o São Paulo. Após pouco mais de cinco anos no clube e onze títulos conquistados, o Tricolor perdia o grande responsável pelas conquistas e entrava em um incômodo jejum de títulos considerados expressivos. Dois campeonatos paulistas, em 1998 e 2000, foram o auge da geração pós-Telê, que trocava muito de comandantes e comandados. O estigma de amarelão surgiu, e aumentava a cada decisão. A diretoria parecia que não se encontrava. No ano de 2004 conseguiu chegar às semifinais da Copa Libertadores da América, mas para a torcida isso era insuficiente. O time começou a empolgar no início de 2005 com a conquista do Paulistão de forma quase invicta – duas derrotas em dezenove jogos – e a torcida não cobrava mais com tanta pressão negativa. Mesmo assim, não se conseguia segurar os técnicos: Émerson Leão, campeão Paulista, deu lugar a Paulo Autuori, que resgatou definitivamente a identidade internacional do são-paulino quando conquistou os títulos da Libertadores e Mundial. Autuori, mesmo com a passagem de sucesso, deixou o clube e deu lugar a Muricy Ramalho. Muricy segue desde o começo do ano passado, quando sofreu severas críticas após três vice-campeonatos – Paulista, Libertadores e Recopa – mas se redimiu e ganhou o Brasileirão após quinze anos do Tricolor na fila. Neste ano de 2007 o Sampa está com uma mão na faixa e outra na taça do bicampeonato brasileiro. Com esta seqüencia de conquistas, fica inevitável comparar essa geração com a da “Era Telê”. Será que já se pode considerar a existência de uma nova “Era” no tricolor?

O esquadrão da década de 90 possuía grandes ídolos. Nomes como Muller, Zetti e, principalmente, Raí são lembrados com grande carinho pela torcida até hoje, mas quem foi considerado o verdadeiro responsável pelas conquistas foi Telê, lembrado nas últimas conquistas com o grito de “olê, olê, olê, olê… Telê, Telê!” entoado no Morumbi.

De uma maneira diferente, os treinadores vencedores do São Paulo também vêm sido responsabilizados majoritariamente pelos títulos conquistados. Hoje em dia, frases como “Somente Rogério Ceni é craque nessa equipe” e “O que realmente faz a diferença no São Paulo é o elenco” são citadas à exaustão pelos comentaristas, e isto mostra o quanto o papel tático do treinador é importante para tornar diferenciada uma equipe nivelada tecnicamente em que apenas o goleiro destoa do comum.

Se fosse para nomear uma nova era, qual seria? Era Rogério Ceni, Era “Elenco”, Era Muricy?

Dar o nome de Muricy não seria justo, pois possui “apenas” o (bi)Campeonato Brasileiro, diferentemente de Autuori que possui dois títulos internacionais. Mas o atual técnico tricolor possui grande regularidade e equipe competitiva, e provavelmente seguirá no comando da equipe até o final de seu contrato em dezembro de 2008, ou seja, ainda pode vir a consagrar de vez seu nome no Morumbi.

Já Rogério, que se tornou o maior goleiro-artilheiro da história, jogador que mais vestiu a camisa do Tricolor, e maior ídolo da torcida são-paulina, indubitavelmente será o nome de referência à equipe deste presente vitorioso. Também por ser o único jogador presente em todas as conquistas, titular e capitão absoluto, pode ser considerado o símbolo deste São Paulo.

Entretanto, para poder nomear esta nova era, é necessária a consolidação da mesma. A equipe da primeira metade da década de 90 conquistou, entre outros, um Brasileirão, duas Libertadores e dois Mundiais, além do bi Paulista. As conquistas dessa nova geração, mesmo com o primeiro Bi encomendado, ainda estão em quantias simples de cada título. Ainda falta um pouco para que esta época de “vacas gordas” passe a ser nomeada como Era.

por Murilo Aquino


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