As mulheres que eram do Brasil

Eu estava em dúvida sobre o que eu iria escrever essa semana. São tantos os assuntos recorrentes, porém nenhum deles muito interessante, pelo menos ao meu ver. Foi lendo a coluna da Mariana, no dia 12 de setembro, que decidi que o assunto seria futebol feminino.

Há pouco tempo, o Maracanã foi palco de um espetáculo promovido por mulheres. A Seleção Brasileira de futebol feminino foi campeã dos jogos Pan-Americanos realizados no Rio de Janeiro. Jogando de uma forma surpreendente, e sem ter tomado nenhum gol durante a competição, as brasileiras golearam as fortes americanas, além de terem dado um show para os torcedores que lotaram o ‘Maraca’. É nesse título que muitos encontram a esperança de um crescimento e de um investimento maior na modalidade, e uma maior valorização para aquelas que praticam o esporte e que, não posso deixar de falar, jogam melhor que muitos profissionais – homens – que ganham milhões por aí. Enquanto hinos de ‘louvor’ são criados para Ronaldinhos e Kakás (não estou os desmerecendo; muito pelo contrário, sou grande fã), as mulheres ainda não têm o seu.

Para serem reconhecidas, essas guerreiras têm que procurar seu espaço e reconhecimento fora do Brasil. É o caso, por exemplo, da eleita melhor jogadora do mundo, Marta. Sem clubes para atuar no país natal, foi para a Suécia jogar pelo Umea IK e alcançou a artilharia do Campeonato Sueco com 18 gols em 13 jogos. É lá que ela recebe o devido respeito e consideração que lhe são merecidos, e também uma infra-estrutura gigante, que dá todo o suporte para garantir o sucesso da profissional. Mas qual a razão dessa falta de interesse no futebol feminino no Brasil?

A entrada do elemento “mulher” no mundo do futebol foi tardia e lenta, por conta, principalmente, da falta de naturalidade com que eram vistas. Por isso, é que no ‘país do futebol’, o futebol feminino ainda sofre preconceitos e desconfiança por grande parte da população, além da falta de patrocínio. O que eu quero dizer é que a não existência de campeonatos femininos no Brasil é resultado da falta de interesse e audiência do público, o que influencia, portanto, a falta de patrocinadores para a criação dessas competições. Tudo gira em torno da “grana” que rola, aliás, que não rola. A realidade brasileira não muda. Tanto no futebol masculino quanto no feminino ou em outras modalidades esportivas, o que importa mesmo, infelizmente, são os lucros dos grandes clubes, federações e empresários ligados ao ramo.

Mesmo com o título no Pan-Americano, a ótima campanha que tem sido feita durante a Copa do Mundo –que está acontecendo na China, de 10 a 30 de setembro – e as jogadores competentes que temos, vejo que ainda vai ter muito chão pela frente até que a CBF e outras instituições relacionadas transformem o futebol feminino em algo decente no Brasil. Custa acreditar, mas vale sonhar.

Por Carla Destro


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