Naming Right or Wrong?

Naming Rights é o direito de dar nome a um empreendimento ou espaço físico. Esse direito é adquirido por meio de um contrato, onde ocorre concessão ou parceria entre as partes.

Já há muitos anos é uma prática bastante comum no mundo esportivo. Especialmene nos Estados Unidos e no Japão, nos estádios, ginásios e arenas onde ocorrem jogos de futebol americano, basquete, roquei, baseball, etc, é comum ter o nome de alguma cooporação estampando a faixada do local. No futebol, a prática vem crescendo, fruto de maiores possibilidades de exploração de marketing no maior esporte do planeta.

O primeiro caso de Naming Right ocorrido no futebol brasileiro, ainda que de forma confusa, foi do Palmeiras, quando comprou o terreno da cervejaria Cia Antarctica para construir seu estádio. Por muitos anos, e até 1958, o estádio foi chamado de Parque Antarctica, e apesar da mudança para Estádio Palestra Itália, continua conhecido e identificado pelo velho nome. Porém, o clube nunca ganhou um tostão por isso.

Com o passar do tempo, e a exemplo dos outros esportes acima citados, os clubes começaram a enxergar possibilidades financeiras na apropriação do nome de seu estádio por empresas privadas. Em 2005 o Atlético Paranaense assinava contrato com a Kyocera Wireless Brasil, empresa fabricante de materiais de alta tecnologia e que possui sede em San Diego, EUA. Estava aberta mais uma possibilidade de receita para o Furacão Paranaense. Além de substituir o nome do estádio para Kyocera Arena, o nome da empresa apareceria nas camisetas do clube e poderia promover eventos e propaganda de seus produtos para os torcedores. Além disso, bônus financeiros são oferecidos ao clube para eventuais títulos conquistados dentro de seu estádio.

Fora do Brasil a prática do Naming Rights possui diversos exemplos. Para a realização da Copa do Mundo, em 2006, diversos estádios alemães foram reformados e renomeados com nome de empresas patrocinadoras, como por exemplo a grandiosa Allianz Arena, da empresa alemã de seguros e serviços financeiros; ou a AOL Arena, da empresa de internet. Mais recentemente foi inaugurado o novo estádio do Arsenal, que leva o nome da empresa de aviação Emirates.

O fato é que o marketing no esporte vem ultrapassando limites e ganhando espaço das formas mais variadas, o que, no geral, é muito bom para os clubes. Quanto mais renda melhor. Mas nem tudo dá sempre certo.

A Kyocera, por exemplo, não pretende renovar o contrato com o Atlético Paranaense pelo fato de a imprensa e os torcedores não terem incorporado o nome da empresa ao clube. Dificilmente se lê nos jornais e se ouve na boca do povo o nome Kyocera Arena. O Palmeiras também promete entrar na dança, e sonda um contrato para nomear seu estádio. Alguns dizem que a Schin seria a possível empresa interessada em tentar desvincular o nome Antarctica do estádio, após mais de 80 anos de história. 

 Em casos como o da parceria Atlético Kyocera é preciso pensar. Será possível alterar a identidade da torcida e do clube com seu estádio por dinheiro? Há aqueles ainda que vejam os estádios como templos dos clubes, e o Naming Right fere a história disso tudo.

Você, torcedor, conseguiria se imaginar algum dia indo ao “Estádio Coca-Cola” assistir ao seu time, ou ver um treino de seus craques no “Estádio Banco do Brasil”?

Por Danilo Vital


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