O Produto futebol

Assim como meu companheiro Bóris em sua excelente coluna de quinta-feira, abordarei um tema de gestão esportiva. O Domínio da Bola se preocupa muito com a  situação do futebol nacional, e queremos propor discussões interessantes e até mesmo soluções para o baixo faturamento dos clubes. A partir do ano que vem, entrará em vigor na Inglaterra um novo contrato entre a Premier League e os clubes. Pelos direitos de exibição televisiva, cada clube vai receber a bagatela de 90 milhões de euros.

Sem sonhar com valores impossíveis, e lembrando a diferença do PIB entre Brasil e, por exemplo, a Inglaterra, peço licença para tratar de um assunto que não domino muito bem: o marketing esportivo.

A Caixa Econômica Federal, em 2001, investia 1,5 milhões de reais no Atletismo. Neste ano de 2007, ano de Pan, a instituição passou a investir 9 milhões de reais em patrocínio. Segundo Gerson Bordignon, gerente nacional de relações institucionais da Caixa, o atletismo é praticado por pessoas de baixa renda, mesmo estrato social de seus clientes.

A Petrobrás, patrocinadora do Flamengo, tem uma política de investir apenas em esportes coletivos, como o futebol, o handebol e a Stock Car. Neste último esporte, a empresa testa seus produtos nos carros da categoria.

Vamos trazer os dois casos para o futebol. No primeiro, a empresa investe no esporte que é de uma classe social semelhante ao seu público alvo, e no segundo a empresa investe num esporte em que pode testar seus produtos.

O Futebol, no Brasil, é uma das maiores vitrines para a publicidade. Por que a CBF ou as federações locais não fazem grandes parcerias para solucionar problemas crônicos do futebol?  As entidades bem administradas conseguem manter bons patrocínios. Um exemplo contrário é o basquete nacional, que com a péssima organização está à beira da falência.

Alimentação: uma parceria parecida com a do São Paulo com o Habbib’s, que montou uma filial no estádio do Morumbi, e facilita e organiza a alimentação do estádio.

Ingressos: uma parceria parecida com a que a do projeto piloto que a Visa traçou com o Figueirense. O estádio Orlando Scarpelli conta com algumas catracas especiais (por enquanto poucas). O torcedor que fez a compra pela internet leva apenas seu cartão de crédito para o jogo, facilitando a entrada com organização, comodidade e segurança (já que não corre risco de comprar ingresso falso). O projeto ainda está no início, mas é uma idéia interessante e inovadora.

As empresas não precisam ser necessariamente as citadas a cima. O fato é que, já que os clubes não conseguem montar bons times para atrair público e não conseguem faturar boas quantias com suas marcas, as federações devem investir no seu produto: o campeonato nacional.

Com certeza, existem profissionais desta área muito mais qualificados que eu, para alavancarem o produto futebol. Basta vontade dos administradores.

Link explicativo da parceria Visa/Figueirense:

http://www.visa.com.br/downloads/dwn_01045_Futebol-Card_release-final.pdf

 

Por Marcelo Braga.


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