Coisas do futebol moderno

Na última terça-feira (11) a equipe do Domínio da bola foi entrevistar o jornalista esportivo Paulo Vinícius Coelho, ou melhor, PVC, na ESPN Brasil (a entrevista em breve estará no ar). No decorrer do bate-papo surgiu uma pergunta interessante: Será que os centroavantes correm o risco de sumir do futebol assim como os pontas?

Os pontas se caracterizavam por serem jogadores que atuavam nas laterais do campo, chegando até a linha de fundo e fazendo cruzamentos para um atacante fixo, o chamado centroavante. No futebol moderno, é mais ou menos o que faz o ala, porém, sem a obrigação de marcar. Alguns atacantes também costumam atuar pelas laterais. São jogadores, normalmente leves, que se movimentam pelos dois lados do campo mas visando invadir a área do adversário. O genial Garrincha e Jairzinho são grandes exemplos de pontas. Na Copa do Mundo de 2006 a Holanda tentou reviver essa maneira de jogar, causando um certo saudosismo em muitos amantes do futebol. A seleção era escalada com Robben na ponta-esquerda, Van Pierse na direita e Nistelrooy centralizado.

PVC afirmou que os centroavantes não correm o risco de sumir do futebol. Concordo com ele. Mas há de se fazer uma ressalva. Pontas-de-lança com uma considerável qualidade técnica, assim como Romário ou Ronaldo, pra citar exemplos recentes, estão ficando cada vez mais raros. Os atacantes atuais fazem gols de todas as maneiras: de primeira, de cabeça, de bico, de joelho, etc. Mas quando a bola para nos seus pés e eles se veêm diante de um defensor, pode esquecer. A jogada está praticamente perdida. Perderam a capacidade de driblar, realizar lances imprevisíveis ou dar aquelas incriveis arrancadas. Se tornaram pesados, mecânicos. São assim atletas como Schevchenko, excelentes finalizadores, entretanto, fracos tecnicamente. Para mim não há dúvidas de que a qualidade desse tipo de jogador está muito defasada. Neste momento, estou a todo custo tentando lembrar algum futebolista em atividade, com talento ao menos semelhante dos dois brasileiros citados.

As atenções agora estão voltadas para os volantes, que se tornaram os principais jogadores de seus times, assim como a ex-dupla do São Paulo, Josué e Mineiro; Pirlo, que foi na minha opinião o melhor jogador da seleção italiana tetracampeã; o time do Brasil na Copa América, com três volantes. Enfim, exemplos não faltam. Mas um dia desses, notei em uma cantina italiana no Bixiga, um quadro daquele fantástico esquadrão da Roma da década de 80. E lá estava Paulo Roberto Falcão. Jogador elegante, cérebral, e…volante. Uma pena ter só o visto como comentarista. Lembrei então que naquela época alguns volantes eram as peças mais importantes dos clubes que atuavam. Mas era excessão. Hoje em dia virou regra. A preferência por montar times que destruam a times que construam jogadas é evidente.

Além disso os volantes de hoje não são como Falcão. Sem comparar a qualidade, o que seria um crime, mas falando da maneira de jogar. Atualmente, eles sabem marcar com eficiência, passam bem a bola, porém, não podem ser considerados o cérebro da equipe. São mais carregadores de piano do que líderes em seus times.

Mas esse é o futebol moderno. A força física sobrepondo-se a técnica, marcadores sendo considerados mais importantes que armadores. Centroavantes grandalhões que apanham da bola ganhando cada vez mais espaço. Enquanto isso, os ultrapassados pontas, e volantes como Falcão só são encontrados em quadros nas paredes de restaurantes.

por Lucas Rizzi

Imagem: Agni Berti


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