Seleção…

Mais um amistoso da seleção, desta vez contra os Estados Unidos. Brasil 4 a 2; apesar de não parecer, o resultado foi uma surpresa – o Brasil nunca ganhara da seleção americana por mais de um gol de diferença. Foi o penúltimo amistoso antes do início do classificatório para a Copa de 10, na África do Sul.

O palco foi Chicago, a cidade dos ventos, em um Soldier Field com bom público (43.543), apesar do calor e sol intensos. A popularização do soccer, entretanto, ainda não está completa; parecia haver mais brasileiros que americanos no estádio de football (aquele da bola oval), tanto que no segundo tempo pode-se ouvir um sonoro “olé” contra os donos da casa.

Mas, voltando ao que tange o jogo, será que podemos considerar a seleção pronta para algo mais sério? Estaria o grupo de Dunga já formado, ou ainda cabem modificações? São perguntas pertinentes, pois apesar das 13 vitórias em 19 jogos, o escrete ainda não passa confiança plena. O triunfo de ontem não foi fácil, o time brasileiro precisou virar para 2 a 1, permitiu o empate e aos 30 minutos do segundo tempo fez o terceiro gol; depois cozinhou o jogo e ainda ganhou um tento de pênalti, aos 46 da etapa final.

O grupo, claro, é impensável sem Ronaldinho e Kaká, as ausências mais sentidas na Copa América. Os dois jogaram bem e criaram bastante; Ronaldinho marcou de falta e Kaká fez um “meio-gol” ao chutar contra o goleiro e, no rebote, a bola bater em um americano e entrar. Robinho destoou um pouco ao fazer firulas em excesso, mas no geral também foi bem na partida. Mas, tirando o trio, o Brasil apresenta alguns probleminhas.

O ataque ainda preocupa porque não achou seu centro-avante titular. O tão questionado Afonso Alves não fez gol, mas chutou uma na trave e deu boa cabeçada para defesa de Howard, além de procurar o jogo. Não parece ser a melhor opção de Dunga, se conseguir ficar no banco já terá feito bastante. Vagner Love pouco fez nessa partida, mas tem crédito pela atuação na Copa América. Fala-se, já, de Alexandre Pato ou da volta de Ronaldo; Fred, do Lyon, também está no páreo. A chamada renovação não deve ser tão radical, caso Ronaldo prove seu valor no Milan. Ele ainda é um dos melhores atacantes do mundo e bem superior aos atuais selecionados.

Na defesa, pouco há para reclamar. Lúcio e Juan continuam comandando bem a retaguarda, enquanto que Maicon e Gilberto se firmam nas laterais. Os únicos queixumes que podem surgir são quanto aos reservas, em especial dos zagueiros. Edu Dracena, principalmente, está bem aquém de jogadores como Alex, Naldo e Alex Silva; para não citar Miranda, fora das listas de Dunga.

A maior dúvida ainda é o gol. Doni vem atuando com competência, mas será que poderemos confiar no arqueiro da Roma em momentos de sufoco? Ele já deu várias provas de que nem sempre é uma muralha e que está sujeito a falhas graves. Júlio César vem voltando e, dos jovens goleiros, é o melhor. Hélton deve ser descartado, nem em sonho o portista tem vaga na seleção. Mas a grande questão das traves chama-se Rogério Ceni. Melhor goleiro brasileiro, ele raramente tem oportunidades na seleção e Dunga deve usar a “renovação” para aposentá-lo de vez.

Apesar desses pequenos problemas, o Brasil, no geral, está bem. O técnico que começou testando dezenas de jogadores já parece ter encontrado um esboço de seu grupo. Quarta, um amistoso contra o México fechará a fase de amistosos e terá início a caminhada para a Copa. De nada adiantarão as vitórias e o título americano se o Brasil não fizer uma boa campanha nas Eliminatórias, com uma classificação convincente.

por Agni Berti


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