Que me perdoem os homens…

“Por favor, me deixem voltar, porque eu gosto do que faço.” Esse apelo foi feito recentemente pela árbitra – modelo e atriz (?) – Ana Paula de Oliveira, que após ter cometido erros cruciais ao bandeirar e ter posado nua para a revista Playboy, foi suspensa de sua atividade no futebol.

Sei que esse é um caso polêmico, principalmente para uma aspirante a jornalista como eu comentar; mas como uma mulher que adora futebol, me senti no direito de participar de tal questão.

Desde que vi Ana Paula apitar uma partida pela primeira vez, tive grande admiração por ela, afinal, não é fácil ser árbitro de futebol, ainda mais sendo mulher e vivendo num país tão machista e preconceituoso como o Brasil. Além de ver os jogos, acompanhava sua participação em programas esportivos, porém apenas quando relacionados a futebol. O que quero dizer é que, a partir do momento em que ela se tornou mais ‘sex symbol’ que juíza de futebol, passei a respeitá-la menos.

O que percebi ao fazer uma breve apuração sobre a vida de Ana Paula é que ela tem sido mais reconhecida como sendo “a bandeirinha que posou na Playboy” do que sendo “a bandeirinha que tinha atitude e postura dentro de campo”, e eu não considero isso correto, ou ao menos, sensato da parte de alguém que quer ser respeitada pelo seu bom desempenho num jogo, e não por ter um corpo esbelto e um rosto bonito.

Não estou criticando-a por ter feito ensaios sensuais. Aliás, ela como qualquer outra mulher tem o direito de posar para revistas e afins como e quando quiser. É uma decisão dela. Só acho que o momento escolhido para realizar tais trabalhos não foi oportuno. Na verdade, foi prejudicial tanto para si mesma quanto para as outras mulheres que apitavam partidas, profissionais ou não.

Depois dos erros e da nudez de Ana Paula não se viu mais nenhuma mulher apitar qualquer jogo. Por que será? Não quero julgar se foi culpa da protagonista da turma ou não, mas é evidente, pelo menos para mim, que aquele – pouco – espaço que as mulheres haviam conquistado no futebol foi “para o ralo”. Ou seja, toda a credibilidade e o respeito que estavam sendo dados às mulheres voltou a ser mínimo como era antes. É preciso reverter novamente esse caso.

Acredito que Ana Paula consiga voltar aos gramados e atuar tão bem quanto antes, pois ela tem condições físicas e psicológicas para isso, mas voto para que ela deixe de lado sua (pseudo)carreira de modelo e atriz, pois, mesmo ganhando tanto dinheiro, não é o que ela faz melhor. Para quem quer um dia chegar a uma Copa do Mundo, é preciso levar a sério e suar a camisa, literalmente.

por Carla Destro


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