Arbitragem Complicada

Ah, a arbitragem… Essa velha conhecida nos dá trabalho já há muito tempo. Nos textos do mesmo Nelson Rodrigues, citado na coluna abaixo feita pelo Rafael, já havia a presença do árbitro como figura, pro bem ou pro mal. É cultura popular chingar o juiz no estádio, ironizar os auxiliares, colocá-lo como culpado pelo resultado.

Mas nos últimos tempos as polêmicas causadas pela arbitragem tem atingido novos níveis. Desde o “Caso Edílson”, que fez com que diversos jogos fossem anulados e realizados novamente, a arbitragem nunca mais foi a mesma. Por mais avanços técnicos que apareçam, como o spray que demarca a linha da barreira nas faltas e o ponto eletrônico usado para a comunicação, erros e mais erros continuam aparecendo, e o torcedor se irrita cada vez mais fácil. Deve haver uma forma de solucionar esse problema.

Toda semana milhares de torcedores sentados em frente a TV constatam erros usando dos replays em câmera lenta, câmeras exclusivas e tira-teimas eletrônicos que a arbitragem não possui, e mesmo assim os condenam de forma quase mortal. Então surge a pergunta: porquê o trio de arbitragem não pode contar com recursos eletrônicos na hora de apitar?

Nessa última semana uma partida do Aberto dos EUA de tênis foi decidida com ajuda de recursos eletrônicos, para ver se a bola tinha ou não acertado a linha da quadra. O futebol americano é outro esporte no qual constantemente o árbitro usa imagens para decidir jogadas. Por que não fazer o mesmo no futebol? Por que deixar decisões importante nas mãos de árbitros que muitas vezes não são bem treinados, atuam sobre extrema pressão, tem a função de ficar de olho em 22 jogadores, técnicos e torcida ao mesmo tempo e são extremamente sucetíveis ao erro (como qualquer ser humano)? 

 Além disso existe uma outra questão a ser levantada: por que no Brasil não ocorre a profissionalização dos árbitros? A grande maioria deles possui outros empregos, que os cobram como qualquer outro emprego cobra, e a arbitragem fica restrita a períodos da semana. A preparação física tem que ser feita por conta própria em muitos casos. Não seria melhor haver árbitros totalmente comprometidos com essa atividade, em vez de professores-árbitros, vendedores-árbitros ou engenheiros-árbitros?

O uso de equipamentos eletrônicos como auxílio para a arbitragem e a profissionalização dos árbitros no Brasil são apenas dois tópicos levantados quanto a esse assunto, que é muito maior que isso. Sem mesmo falar do despreparo, do suborno de árbitros, do abuso de autoridade em campo podemos perceber que arbitragem é um dos tópicos fuebolísticos que precisa de mudança. Caso contrário vamos continuar ouvindo e vendo declarações indignadas, ameaças de saídas de times dos campeonatos e brigas.

Por Danilo Vital


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