Não há pesos nem medidas

Não há pesos nem medidas. Não podemos, portanto, acusar o Superior Tribunal de Justiça Desportiva de utilizar critérios diferentes nos diferentes casos, já que o problema é outro: não há critérios! Renato Gaúcho, treinador do Fluminense, ao dizer que seu time estava sendo “roubado” pegou um gancho de 60 dias, em julgamento que ocorreu nesta quinta-feira. Dorival Júnior, seu colega cruzeirense, pegou o dobro. Estará fora dos gramados pelos próximos 120 dias. O motivo: invasão de campo.

A lógica aristotélica através da qual o STJD vem avaliando seus casos é assustadora. Émerson Leão, técnico do Galo Mineiro escapou ileso após seus gestos que insinuavam que o Atlético-MG estava sendo prejudicado pela arbitragem, para não repetir a palavra “roubado”. Claramente, não se utilizou o mesmo critério para julgar Leão e Renato Gaúcho. Dorival Júnior, no entanto, mesmo sendo o que cometeu menor infração, saiu mais prejudicado que os outros dois.

Dodô, do Botafogo, flagrado no antidoping, após um curto período afastado dos campos, acabou absolvido, constituindo então um precedente jamais visto na história do doping mundial. A prova acusou a substância considerada ilegal, a contraprova ratificou a infração e, mesmo assim, o atleta foi liberado para voltar à atividade normal.

O zagueiro Marcão, do Inter de Porto Alegre, foi suspenso por 120 dias porque no jogo contra o Juventude seu exame antidoping acusou a presença de finasterida – uma substância proibida usada para mascarar o uso de anabolizantes. De acordo com o atleta, a presença da substância em seu organismo tem relação com um medicamento utilizado por ele para conter a queda de cabelos.

A diferença entre esses dois casos citados não me é clara, no entanto, Dodô está livre para jogar e Marcão irá amargar 4 meses de suspensão.

Dessa vez sobrou até para o folclórico Vampeta que, atuando pelo Corinthians, também levou gancho por simular uma contusão em partida contra o Botafogo. Roger, do Flamengo, também foi punido pelo mesmo motivo: simulação. Cabe agora aos sapientíssimos procuradores do STJD o papel de investigar e punir com mesma firmeza os casos semelhantes – tarefa, aliás, que promete não ser nada simples.

O que, de fato, parece muito criterioso por parte do tribunal é o fato de que, historicamente, passando pelo caso Sandro Hiroshi, em 1999, as canetadas de Luis Zveiter no conturbado campeonato de 2005, entre outras pataquadas, os doutores da Rua da Ajuda, nº 35 respeitam um rígido código de incompetência e desorganização.

Em tempo: O atleta Túlio, do Botafogo, foi punido com 120 dias de suspensão pelo chute que ele desferiu no rosto do atacante Leandro, do São Paulo. Talvez a única decisão acertada do Tribunal.

Observação: essa coluna pode estar absolutamente desatualizada minutos depois de sua publicação, já que as decisões do STJD são constantemente alteradas.

por Fernando Mendes


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