Cadê o quarteto fantástico?

Quando o Barcelona desembolsou mais de R$60 milhões pra contratar o atacante francês Thierry Henry, os amantes do futebol finalmente vislumbraram a oportunidade de ver atuando em um mesmo time, quatro dos melhores jogadores do mundo na atualidade: Henry, Samuel Eto’o, o craque argentino, Lionel Messi e o por duas vezes consagrado como melhor do mundo pela FIFA, Ronaldinho Gaúcho.

No futebol moderno, em que o talento individual vem perdendo espaço, tornando os jogadores mecânicos e fazendo com que as partidas passassem a ser baseadas na capacidade física de cada time, tornando-as burocráticas, o Barcelona tinha a chance de montar um sistema ofensivo capaz de fugir um pouca dessa realidade. Ver o quarteto fantástico atuando era o desejo de nove entre dez pessoas que gostam de futebol, mas não era o de Frank Rijkaard.

Na abertura do campeonato espanhol contra o Racing Santander, ele deixou o francês no banco de reservas, enquanto Xavi, Iniesta e Touré Yaya mostravam suas habilidades no meio de campo do time catalão. Bom, o jogo não saiu do zero. Era a deixa para Henry entrar. E ele entrou, porém, no lugar de Messi. Logo depois, Deco substituiu Yaya. Estava formado um quarteto, mas com Messi no banco. E o que aconteceu? O empate de 0x0 persistiu até o fim do jogo, com uma das maiores revelações dos últimos anos, de fora.

A poucos anos atrás a maioria dos treinadores colocariam os quatro jogando juntos, no esquema 4-4-2. Essa tática, antes preponderante no futebol, caiu em desuso, dando lugar a esquemas com três zagueiro, três volantes, um atacante, etc..

Aqueles que são contra o quarteto podem argumentar lembrando do ‘galático’ Real Madrid, que tinha em seu elenco Ronaldo, Raúl, Figo, Zidane e Beckham; e do quadrado mágico – formado por Kaká, Ronaldinho, Adriano e Ronaldo – presente no fracasso da Seleção Brasileira na Copa de 2006, por exemplo.

Mas eram situações completamente diferentes.

No caso do Real Madrid, esses jogadores foram contratados a peso de ouro, então, os cinco atuavam juntos, com Beckham fora de posição, o que prejudicou seu desempenho. Além do mais, os dois responsáveis pela armação, Zidane e Figo, já estavam com uma certa idade, e o atacante Raúl, como ficou provado, não é nada daquilo do que se pintava sobre ele.

Já no que diz respeito à desastrosa seleção montada por Parreira, o erro foi escalar dois centroavantes que além de estarem fora de forma, possuíam as mesmas características.

Como pode se ver, a situação do Barcelona é bem diferente desses dois exemplos. Rijkaard tem em suas mãos quatro jogadores que se completam e poderiam formar um ataque criativo e muito veloz, com Messi no meio de campo, Ronaldinho e Eto’o abertos pelas pontas e Henry jogando mais centralizado. Para permitir que os quatro jogassem com total liberdade, bastaria fazer com que os laterais não avançassem formando praticamente uma linha de quatro zagueiros, devidamente protegida por dois volantes.

Além do Barça, o Manchester United tem a possibilidade de fazer algo parecido, com Giggs, um dos novos contratados, Tevez ou Anderson, Cristiano Ronaldo e Rooney. Sem contar com a seleção brasileira, que se o Dunga assim permitir, poderá formar o melhor ataque do mundo, com Kaká, Ronaldinho, Robinho e Ronaldo (devidamente em forma).

Mas o futebol praticado hoje em dia, com técnicos formando ferrolhos defensivos e volantes se tornando os craques dos seus times, não deixa seus fãs sonharem muito alto. Entretanto, seria bom que os treinadores que tem essa gama de talentos nas mãos lembrassem que muitas vezes os grandes times da história são lembrados mais pela beleza e qualidade do seu futebol do que por títulos. Exemplos não faltam. A Hungria de Puskas, vice-campeã na Copa de 54, o Carrossel Holandês, vice em 74, e o Brasil de 82 são muito mais reverenciados e idolatrados do que os campeões desses mundiais.

Portanto, se Rijkaard quiser fazer esse time entrar pra história, certamente não será com Touré Yaya deixando Thierry Henry na reserva.

Por Lucas Rizzi


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